Juvenal Pereira - Agarra, agarra, que é ladrão! Quis parecer-me ouvir este apelo, vindo do meio da pequena multidão. Estava no Monte, na festa de Nossa Senhora da Assunção! Confesso que fiquei alarmado…será que havia ladrões por aqueles lados? O meu desespero se avolumou assim que a procissão se iniciou. Quando vi Nossa Senhora no seu pequenino andor, pensei com indisfarçável pavor: É hoje que lá vai o ouro! Sentia Nossa Senhora desconfortada, a olhar para todos os lados com medo de ser assaltada. Só quando olhava à sua retaguarda me parecia mais segura, mais animada. Atrás vinham uns senhores todos aprumadinhos, olhares bondosos, bem vestidinhos, até pareciam uns anjinhos. Nossa Senhora devia nalguns deles confiar para deixar, assim, de se preocupar. Talvez tivesse razão, são muitos anos a vê-los na procissão. Ou então, Nossa Senhora, estava a pensar assim: Algum destes, certamente, para o ano já não vem atrás de mim! O que representa, para a festa, para a procissão, para o próprio povo, algo de muito ruim. Esta Santa, além de milagrosa, justa e misericordiosa, é bastante compreensiva e dá valor a quem a segue e serve com fervor. Certamente chegou à conclusão, de que não é fácil alguém estar 10,15,20,30 e 40 anos a acompanhar uma (mesma) procissão! E, sabendo Ela - como nós também sabemos - ser só e exclusivamente, por profunda devoção! Daí, a Virgem mostrar serenidade como forma de confiança e gratidão! Porém, o importante é que não houve roubos na procissão. Se ladrões havia, disfarçaram-se com maestria, consoante o exigido pelos padrões da nossa democracia. A Santa, se da igreja com ouro caminhou, à igreja com o ouro chegou. Protegida, isso sim, por milhares de devotos que cada vez mais recorrem a Deus e à Virgem Santíssima, para auxiliá-los na solução dos seus problemas da vida, finalmente conscientes de que os “santos” da terra não fazem milagres, por serem, muitas vezes, incompetentes, egoístas, pouco sérios, incapazes!