Declaração prévia: o rali não me diz nada e nunca me disse nada. Devo dizer que sempre achei graça ao à vontade com que se fecham estradas e se “desvia” a vida das pessoas por dá cá aquela palha. Já por várias vezes pensei propor uma corrida de caracóis entre o Lido e Barreirinha, fechando durante o tempo necessário todas as ruas que integram esse percurso. Não estou convencido que o rali seja realmente uma mais valia para seja quem for exceto os que nele participam. Para o destino, não é certamente: será que queremos mesmo ser conhecidos como o local onde x, y ou z se despistou, e quase matou várias pessoas? Será mesmo que queremos ser recordados como o destino onde fechamos metade da ilha para que alguns – poucos – se divirtam a decorá-la com fitas de plástico, que são sistematicamente espalhadas por todo o lado, desde as rotundas do Funchal, até todas as árvores que tiveram a infelicidade de nascer junto a uma estrada? Mais: ainda estou menos convencido que o rali mereça o que nele investe o estafado erário público regional, que faria muito melhor em aplicar os nossos impostos no que é investimento reprodutivo (por exemplo, promoção) ou útil (conservação de estradas, ou plantação de árvores). Não estou contra todos os que se aproveitam do rali como pretexto para ir acampar uns dias. Vão acampar, e aproveitem a natureza. Mas tragam o lixo que por lá gerarem. O que o rali nos traz são (parafraseando uma amiga) crianças grandes com brinquedos caros que estão convencidos que estão acima da lei, e que todos lhes têm que fazer uma vénia… [email protected]

Roberto Loja