A reabilitação da Estação Zootécnica da Madeira, no Porto Moniz, e a reabilitação do Centro de Ovinicultura da Madeira, em Santana, devem ser uma prioridade de qualquer governo com uma perspectiva de futuro.

No mínimo, depois de anos de conversa, é inexplicável o estado de abandono a que aquelas infra-estruturas estão relegadas, sendo chocante o estado de devassa e degradação a que a Estação Zootécnica do Porto Moniz chegou, com portas arrombadas, máquinas enferrujadas, e o acervo do arquivo zootécnico espalhado no chão das antigas instalações. Na verdade, não há falta de dinheiro que justifique tamanha negligência.

No futuro, aproveitando a diversificação das suas valências, e adaptando aqueles centros com a utilização inteligente dos fundos comunitários, nada obsta a que não se possa revitalizar o fomento da pecuária na Região como forma de reduzir as importações de carne e outros derivados que fazem parte da alimentação humana (leite, queijo, manteiga, requeijão) - criando uma marca regional - e aproveitando os vastos terrenos adjacentes - no caso do Porto Moniz com óptimas condições de mecanização para o desenvolvimento da agricultura, designadamente a horticultura de média altitude, e para a potencial instalação de um centro equestre vocacionado para os passeios turísticos.

A recuperação do Centro de Ovinicultura de Santana passa pela recuperação dos currais para ovinos e caprinos e o retomar da produção de um ou diversos queijos regionais. A disponibilidade de água a partir da levada do Caldeirão Verde é suficiente para a manutenção dos pastos.

Existem jovens empresários dispostos a investir e a trabalhar no sector;

Existem fundos comunitários disponíveis;

O governo possui técnicos competentes, desejosos de abandonarem as suas secretárias e aptos a trabalharem com afinco nestes projectos;

O que falta é capacidade política de realização.

E já agora: mais vale tarde do que nunca. Felizmente já estão a tratar da água de rega para o futuro parque agrícola do Porto Santo.

Miguel Albuquerque