Sempre que chegamos ao Verão, os madeirenses questionam-se sobre a possibilidade de irem passar uns dias ao excelente areal do Porto Santo. Fazem contas à vida e muitos concluem, infelizmente, que não podem pagar uma estadia de 50 ou mais euros diários por uma casa alugada. Afinal os madeirenses comuns, aqueles que votam, não têm direito a uma casa junto à praia a 20 euros por dia, tal como usufruem os mesmos que ao longo de quase 40 anos, têm governado a Madeira. Nós, CDS, já há muitos anos vimos defendendo o fim destas mordomias, por uma questão de justiça e, sobretudo, por razões financeiras, pois a venda dessas casas de férias no Porto Santo poderá permitir, por exemplo, colmatar a falta de bens de primeira necessidade nos hospitais do Funchal. Nada disso, responde o PSD na ALR, todas as propostas do CDS são recusadas, pois afinal direitos adquiridos não queremos perder, clamam logo, alguns senhores membros e ex-membros do governo regional! Estas e outras mordomias do regime têm de acabar! É uma imoralidade que haja privilégios para uns quantos, à boa maneira daquilo que os dirigentes da antiga União Soviética usufruíam durante um regime caduco, prepotente e insensível!

Foi assim nos regimes comunistas e, descaradamente, continua a ser dessa forma entre nós, num regime que perdura numa Região Autónoma portuguesa! Precisamos de por fim a esta subversão de prioridades, pois enquanto houver centenas de famílias na Madeira a passarem por enormes dificuldades sociais, sem dinheiro para acederem a cuidados de saúde, sem verbas para colocarem os filhos nas creches, sem rendimentos ao fim do mês para uma boa alimentação, denunciaremos todos e quaisquer comportamentos desiguais por serem imorais! O CDS não pactuará com nenhuma liderança de outro partido, num eventual entendimento futuro de governação da nossa Região, se não houver um compromisso por escrito de que estas mordomias irão acabar. Em nome da transparência, da moralidade e do bom senso, o CDS compromete-se em acabar com o escandaloso da causa pública, seja o jackpot, as vergonhosas ajudas de custo recentemente aprovadas pelo PSD para os membros do governo e assessores, as incompatibilidades dos detentores de cargos públicos, enfim todo um pacote legislativo que visa a transparência da actividade política. Estas serão prioridades de um futuro governo, na eventualidade do CDS ser chamado a esse desígnio. Quem não as aceitar não conte connosco, pois aquilo que propomos é para cumprir, custo o que custar.

António Lopes da Fonseca