Pelo andar da carruagem, corremos o risco de todos os Bancos entrarem em liquidação Talvez por ter terminado o meu período de férias, e me encontrar mais sensibilizado para as coisas simples e belas da vida, nos últimos dias o meu nível de tolerância às “bad things” que vão sucedendo no nosso país tem sido bastante baixo. E não falo, sequer, do último e “fresco” Acórdão do Tribunal Constitucional, cujo conteúdo e fundamentos nem sequer me darei ao trabalho de tentar dissecar, mas sim de outras ocorrências igualmente incompreensíveis e preocupantes. Quanto ao primeiro, e assim que encontrarem a nova forma alternativa de me irem ao bolso, logo me preocuparei… Para já, o BES foi o 4.º Banco Português que, num relativo curto espaço de tempo, se converteu num “Bad Bank”, alegadamente gerido por “Bad Guys”, seguindo-se, ainda com maior estrondo e surpresa, ao BCP, ao BPN e ao BPP. Não querendo embarcar em visões maniqueístas e/ou de pendor político-ideológico sobre o sistema financeiro e “a banca”, parece-me que algo está claramente errado e carecido de urgente (e enérgica) intervenção e revisão. A não ser assim, e pelo andar da carruagem, corremos o risco de todos os Bancos nacionais entrarem em liquidação (ou, utilizando uma linguagem agora em voga, serem “resolvidos”), bem como de todos os banqueiros do país serem sujeitos a termo de identidade e residência e/ou penas de prisão efectiva a médio ou curto prazo. O que, bem vistas as coisas, talvez nem seja, necessariamente, uma “bad thing”… Quem também já não se livra da fama de “Bad Guys” são os pilotos da TAP. Com efeito, a única coisa pior do que uma greve inoportuna ou oportunista, é uma greve mal fundamentada e/ou mal comunicada, e cujas reivindicações não conseguem ser apreendidas quer pela entidade patronal, quer pelo público em geral. Neste caso concreto, e sendo certo que a gestão ruinosa da TAP não é de agora, bem como que a procura de melhores oportunidades profissionais, ainda que no estrangeiro, é uma situação perfeitamente normal, é sabido que esta greve surgiu num momento em que os pilotos consideram – genuinamente – que aumentos salariais e/ou a redução da sua carga fiscal configurariam medidas de boa gestão, designadamente como forma de evitar a sua “aterragem” noutras paragens mais proveitosas, mas menos “católicas”. Assim, e por muitas razões que até lhes possam assistir (e não assistirão a todos nós?), ficará sempre a ideia que um grupo de profissionais, tido como de “elite”, e que, apesar de trabalhar para uma empresa de capitais exclusivamente públicos que sempre registou avultados prejuízos, aufere remunerações muito acima da média nacional, tende a colocar os seus interesses pessoais à frente dos interesses da (sua) empresa e do (seu) país. E quanto a “Bad Vibes”, o que dizer de algumas reacções “populares” ao facto da Madeira ter sido, pela 2.ª vez consecutiva, votada como o melhor destino insular da Europa no âmbito dos World Travel Awards? Numa primeira análise, e independentemente das virtualidades e/ou defeitos do sistema de votação (on-line e aberto), esta distinção deveria encher-nos de orgulho, e ser encarada como extremamente positiva para o Turismo Madeirense, bem como para a economia insular e nacional. No limite, e embora com alguma censura pelo alheamento face aos desígnios nacionais, admitir-se-ia que a mesma fosse acolhida com indiferença. No entanto, a avaliar por alguns comentários efectuados no “Espaço Participação” subordinado ao tema que foi criado por este Diário, muitos Portugueses ficaram notoriamente incomodados com a vitória da Madeira, tendo até encontrado tempo – certamente e apenas por se encontrarem de férias – para inundar o respectivo website de fel. É caso para dizer que se o egoísmo, a falta de senso e a incapacidade de contribuir para algo melhor fossem tributados, muitos Portugueses poderiam ter ficado à margem do “brutal aumento de impostos” dos últimos anos. Mas a verdade é que, enquanto vivermos num país em que tantos emanam tão “bad vibes”, não nos podemos surpreender com as “bad things” que por cá vão acontecendo. Gonçalo Maia Camelo
Pelo andar da carruagem, corremos o risco de todos os Bancos entrarem em liquidação
Talvez por ter terminado o meu período de férias, e me encontrar mais sensibilizado para as coisas simples e belas da vida, nos últimos dias o meu nível de tolerância às “bad things” que vão sucedendo no nosso país tem sido bastante baixo. E não falo, sequer, do último e “fresco” Acórdão do Tribunal Constitucional, cujo conteúdo e fundamentos nem sequer me darei ao trabalho de tentar dissecar, mas sim de outras ocorrências igualmente incompreensíveis e preocupantes. Quanto ao primeiro, e assim que encontrarem a nova forma alternativa de me irem ao bolso, logo me preocuparei… Para já, o BES foi o 4.º Banco Português que, num relativo curto espaço de tempo, se converteu num “Bad Bank”, alegadamente gerido por “Bad Guys”, seguindo-se, ainda com maior estrondo e surpresa, ao BCP, ao BPN e ao BPP. Não querendo embarcar em visões maniqueístas e/ou de pendor político-ideológico sobre o sistema financeiro e “a banca”, parece-me que algo está claramente errado e carecido de urgente (e enérgica) intervenção e revisão. A não ser assim, e pelo andar da carruagem, corremos o risco de todos os Bancos nacionais entrarem em liquidação (ou, utilizando uma linguagem agora em voga, serem “resolvidos”), bem como de todos os banqueiros do país serem sujeitos a termo de identidade e residência e/ou penas de prisão efectiva a médio ou curto prazo. O que, bem vistas as coisas, talvez nem seja, necessariamente, uma “bad thing”… Quem também já não se livra da fama de “Bad Guys” são os pilotos da TAP. Com efeito, a única coisa pior do que uma greve inoportuna ou oportunista, é uma greve mal fundamentada e/ou mal comunicada, e cujas reivindicações não conseguem ser apreendidas quer pela entidade patronal, quer pelo público em geral. Neste caso concreto, e sendo certo que a gestão ruinosa da TAP não é de agora, bem como que a procura de melhores oportunidades profissionais, ainda que no estrangeiro, é uma situação perfeitamente normal, é sabido que esta greve surgiu num momento em que os pilotos consideram – genuinamente – que aumentos salariais e/ou a redução da sua carga fiscal configurariam medidas de boa gestão, designadamente como forma de evitar a sua “aterragem” noutras paragens mais proveitosas, mas menos “católicas”. Assim, e por muitas razões que até lhes possam assistir (e não assistirão a todos nós?), ficará sempre a ideia que um grupo de profissionais, tido como de “elite”, e que, apesar de trabalhar para uma empresa de capitais exclusivamente públicos que sempre registou avultados prejuízos, aufere remunerações muito acima da média nacional, tende a colocar os seus interesses pessoais à frente dos interesses da (sua) empresa e do (seu) país. E quanto a “Bad Vibes”, o que dizer de algumas reacções “populares” ao facto da Madeira ter sido, pela 2.ª vez consecutiva, votada como o melhor destino insular da Europa no âmbito dos World Travel Awards? Numa primeira análise, e independentemente das virtualidades e/ou defeitos do sistema de votação (on-line e aberto), esta distinção deveria encher-nos de orgulho, e ser encarada como extremamente positiva para o Turismo Madeirense, bem como para a economia insular e nacional. No limite, e embora com alguma censura pelo alheamento face aos desígnios nacionais, admitir-se-ia que a mesma fosse acolhida com indiferença. No entanto, a avaliar por alguns comentários efectuados no “Espaço Participação” subordinado ao tema que foi criado por este Diário, muitos Portugueses ficaram notoriamente incomodados com a vitória da Madeira, tendo até encontrado tempo – certamente e apenas por se encontrarem de férias – para inundar o respectivo website de fel. É caso para dizer que se o egoísmo, a falta de senso e a incapacidade de contribuir para algo melhor fossem tributados, muitos Portugueses poderiam ter ficado à margem do “brutal aumento de impostos” dos últimos anos. Mas a verdade é que, enquanto vivermos num país em que tantos emanam tão “bad vibes”, não nos podemos surpreender com as “bad things” que por cá vão acontecendo.
Gonçalo Maia Camelo