Eu gosto é do Verão. É o tempo dos arraiais. Entre a devoção e a diversão, são diferentes as nossas festas populares. Tenho tantas e tão boas memórias. As espetadas, o vinho com laranjada, os bailinhos. Dança-se pouco na nossa terra, é verdade. Vai-se mais para ver e ser visto. Coisas de ilhéus que se vê também no folclore. Até temos o Baile Pesado, dançado curvado e com o nariz junto aos joelhos. Diz muito do que este povo foi submetido e a canga que teve de carregar durante séculos. O importante é que os arraiais sejam momentos de entretenimento a que todos têm direito, mas que não sirvam de adormecimento para as questões sérias que a todos devem mobilizar. Esta é também, segundo dizem os anglo-saxónicos, a Silly Season por ser o período de férias dos políticos, dos tribunais, dos jornalistas, bem, na verdade de quase todos os mortais, ou daqueles que, nos dias de hoje se dão ao “luxo” de ter um emprego... Parece haver uma falta de notícias ditas “importantes e sérias”, sendo os media tomados de assalto pela “falta de assunto” e por uma maior incidência de notícias superficiais. Há políticos que, apercebendo-se desta situação, procuram ocupar esta época onde habitualmente aparecem na comunicação social temas mais ou menos estúpidos, com assuntos políticos. Uma quase fobia de não serem esquecidos. As notícias sobre o dia-a-dia das férias de um político são não-noticias. São formas de distração para desviar a nossa atenção dos problemas importantes. Há outros casos em que políticos, fingindo-se de férias, procuram fazer propaganda política, manipulando através de dinheiros públicos órgãos de comunicação social, como o é o Jornal da Madeira. É o que faz sistematicamente o Presidente do Governo Regional no areal do Porto Santo. Noutros tempos, interrompia as férias e a Silly Season para participar nas cerimónias religiosas de Nossa Senhora do Monte e na sessão solene do dia da Cidade do Funchal. Este ano só teremos o Presidente do Governo como romeiro da Festa de Nossa Senhora do Monte. No ano passado lado a lado, comos nos últimos 20 anos de cumplicidades, Miguel Albuquerque contou com a presença do seu Presidente, que até o aplaudiu e o cumprimentou. No dia 21 de agosto não teremos nem Albuquerque nem Jardim. Mudaram-se os tempos e a situação política. O passado deu lugar ao futuro e todos os grupos municipais, incluindo o do PSD que está na oposição, terão o direito de intervir. É a nossa forma de estar em democracia. Enquanto Presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, teria o legitimo direito de intervir e a liberdade de tomar posição política sobre o que bem entendesse, até, veja-se só o curioso, falar de ética e política, como o fez no último dia da cidade em que participou. Mas também teria de ouvir e escutar todos sem exceção, mesmo que para si fosse “ouvir as rafeiradas do costume”, como afirmou na edição do Jornal da Madeira de 12 de agosto. Não concebo que se chame rafeiros aos que foram eleitos pelo povo. Ficará pelo arraial do Monte. Está no direito de se auto excluir, num dia que é da cidade e de todos os funchalenses e que, pela primeira vez, será celebrado na Praça do Município onde todos são bem-vindos. Não é um arraial, mas será uma festa do povo e da cidade.
Paulo Cafôfo Presidente da CMF