Se por um lado procuramos uma vida segura e estável, por outro, acabamos inevitavelmente em busca de incertezas e variedade. Até porque fazem parte e são necessárias a uma vida plena. A nossa mente, através das novas vivências, readapta-se constantemente a novas realidades. O somatório dessas experiências pelas quais passamos na vida torna-nos naquilo que somos enquanto pessoas. Se no passado existia a ideia de que essas mudanças no cérebro só ocorriam na infância e que na idade adulta já nada era alterado, as pesquisas recentes provam o contrário. O cérebro continua a procurar novos caminhos neurais, novas sinapses, alterando as já existentes por forma a readaptar-se a situações novas e desconhecidas. O cérebro, como um “músculo”, precisa ser trabalhado por forma a manter-se ativo. Enquanto pai, no que é possível, tenho procurado fazer com que a minha filha vivencie novas experiências, novas sensações. Fazer com que o seu contexto seja alterado é para ela enriquecedor e torna-a mais forte. Também como professor, para além de nas aulas procurar ser inovador, fazendo com que os meus alunos vivam novas sensações através de outras modalidades, encorajo-os também, dentro dos limites da razoabilidade, a não recearem o novo, a mudança. Conhecer uma nova realidade, fazer algo diferente. No fundo, “getting out of the box”! No meu caso pessoal, nos últimos tempos, tenho passado por algumas experiências novas: umas passagens pelo golfe, Rock in Rio e até no windsurf/ paddle e vela, têm sido enriquecedoras. A mais recente foi a participação no I Trail do Porto da Cruz, uma modalidade que desconhecia e que me surpreendeu muito pela positiva. Em primeiro lugar, pelo cenário encontrado, quer durante a prova (subidas, levadas, tuneis, descidas, etc), quer pela envolvência de pessoas. Em segundo lugar, porque senti que este tipo de provas tem um potencial enorme. A Madeira vende-se com base no conceito de mar e natureza. Acredito que aqui está um bom exemplo disso: paisagens incríveis, locais dignos de fotografar, etc. Diziam-me no final que todos os participantes não regionais que participaram em provas destas tinham ficado maravilhados com as condições e a qualidade desta aventura. Não é difícil perceber isso. As entidades que têm a obrigação de apoiar estes eventos e de promover a Região deveriam olhar para estas provas com um olhar atento e coordenado. Finalmente, à hora que sair esta edição já terei passado por mais uma nova experiência na minha vida: a regata RIM Madeira Porto Santo. Afirmam os entendidos que o vento promete uma prova rija. O facto de se realizar durante a noite também me deixa pensativo, mas, afinal não é de novas experiências que vivemos...?

Bernardo Vasconcelos Professor de Ed. Física