Severino Olim Nestes próximos dias, até 17 de agosto, a comunidade paroquial da Ribeira Sêca realiza as festas em honra da sua padroeira e em louvor ao santíssimo sacramento. São duas festas num só abraço. Com calendários diferentes espaçadas nos meses de verão, a festa do santíssimo sacramento marcava o início das festividades desta comunidade, sempre, renovadas em todos os anos pela autenticidade das concorridas romagens dos sítios do Pastel, Noia e do Lombo do Xeque que ao som e ao ritmo das suas marchas: estrela da felicidade, lume novo, ilha verde, vindimas, tear, levada nova da serra, homenagem ao emigrante … faziam um dos pontos altos da festa e a curiosidade dos nossos visitantes. A festa da padroeira, a senhora do amparo, faz-se sempre à estrada com muito empenho e dedicação por todos paroquianos que, milimetricamente, erguem a pulso uma atmosfera de cores e de cheiros intensos das murtas e dos cedros, ponteando as bandeiras da esperança de um novo paradigma cultural, social e religioso exigido pela comunidade. Para as festas deste fim de semana alargado, a crise económica e social que a maioria dos madeirenses bem conhecem, obriga-nos a sérias contenções no emprego dos contributos espontâneo dos nossos emigrantes de visita à sua terra natal, na afetação dos recursos da generosidade de grande parte da comunidade residente que, em tempos de austeridade, assumem tamanho desprendimento e consciencialização da importância social e religiosa destas festas. Efetivamente, este laço maternal à senhora do amparo complementa-se com os arranjos de jardins de trigo bem notórios no adro da igreja, complementando-se ainda, com as preocupações ambientais refletidas na utilização de materiais reciclados, com os cantares e danças coreografadas por grupos de jovens e adultos da paroquia, com a presença amiga do “arco da velha” e com musicas de raiz popular de outros grupos musicais. Para que fosse possível a realização destas duas festas numa só, a comissão de festas valeu-se do apoio incondicional de vários populares para que, atempadamente, fosse possível a concretização deste abraço global numa forma autêntica e genuína. Certos que, os fortes condicionalismos provocados pela crise torna, inevitavelmente as nossas expetativas mais redutoras e, nesse intuito, a comissão de festas, imbuída num elevado sentimento de responsabilidade e de partilha, decidiu levar a todos os idosos e doentes dos sítios mais altos o amparo e a alegria das nossas festas, colocando para o efeito, nos lugares onde é costume celebrar as solenidades ao divino espirito santo, fachos de bandeiras e de luz. É, com esta singularidade, que levamos a festa da igreja viva a quem mais sofre, neste ano especial, em que a diocese do Funchal comemora a história dos seus 500 anos de existência. Porque somos pedras vivas desse longo percurso, a organização destas festas deixa este abraço a todo o povo anonimo das paróquias da diocese, convidando-o a participar nas nossas festividades onde a alegria, o ânimo e vigor do nosso cancioneiro, a intensidade dos aromas da terra e das nossas serras falam do caminho da vida do nosso livro, uma janela aberta ao mundo em constante inquietação.