A propósito da crise desencadeada no Banco Espírito Santo, com a perda de milhares de milhões de euros atingindo brutalmente depositantes, acionistas, particularmente os mais pequenos, bem como a economia e o contribuinte o governador do Banco de Portugal afirmou que a partir de agora existirá o banco bom e o banco mau, isto significa que passamos a ter o bom e o mau ladrão. Perante isto a primeira questão que o cidadão comum e o cliente do banco questiona é o que vai acontecer aos gestores que levaram o BES à falência. Vão ser responsabilizados criminalmente? E o supervisor BP também não tem responsabilidades? Vai uma vez mais a exemplo dos casos BPN e BPP ficar impune? Por outro lado é preciso que a nova administração do chamado Novo Banco clarifique se vai haver reorganização que implique despedimento de funcionários que não têm responsabilidades na má gestão. É um dever ético e moral da nova administração do BES salvaguardar os atuais postos de trabalho. Infelizmente depois de tudo o que temos assistido neste país relativamente à não responsabilização de políticos, gestores públicos e privados que cometem crimes contra o bem público e o contribuinte é que há uma justiça para os ricos e poderosos e outra para os pobres. Fica a ideia que o bom ladrão é aquele que comete este tipo de crimes económicos e que por uma caução de 3 míseros milhões de euros sai em liberdade e o mau ladrão é aquele que rouba um kg de arroz para matar a fome aos filhos porque está desempregado e vai para a cadeia, ou ainda o chefe de família que não consegue pagar a prestação da casa e os impostos e o banco e as finanças avançam com uma penhora. É este o país em que vivemos, impunidade para os criminosos, casos BES, BPN e outros, e o cumprimento implacável da Lei para com o cidadão já cumpridor das suas obrigações fiscais, mas que à mínima falha é encostado à parede.

João Isidoro Gonçalves Presidente do MPT-M