Conceição Pereira A organização mais eficiente no nosso país, incluindo a RAM, é a organização criminal financeira. Estes criminosos têm o poder, os meios, os colaboradores, tudo está concertado para levarem a cabo os seus intentos, que é pilharem o máximo de dinheiro e colocá-lo em lugar seguro ao seu dispor. O que fica para trás não os preocupa, uma vez que a justiça é “lenta”, o poder governamental nós sabemos como funciona, a Assembleia da República é de maioria capitalista, de modo que os ladrões financeiros não se sentem ameaçados. Já tivemos o BPN, agora é o BES, só para falar dos casos mais graves. Entretanto, rebentou mais um caso na Madeira que representa uma grande calamidade, tendo em conta a dimensão da nossa região. Segundo li no DN, “o Instituto Segurança Social da Madeira permitiu que três empresas de Luís Camacho... acumulassem mais de 16 milhões em contribuições não entregues. Com as insolvências em curso, o ISSM corre sérios riscos de não receber nem um tostão”. E ainda segundo o DN há dívidas que remontam a 2000, há 14 anos! Mas estas dívidas vão ficar por isto mesmo? Não pagaram, não pagam e acabou-se? Até as instituições sem fins lucrativos de utilidade social não podem deixar dívidas atrasadas na S. Social porque correm o risco de não poderem desenvolver as suas actividades! E então os grandes empresários estão imunes? Para início de conversa, o responsável governamental deste sector deve demitir-se, não para fugir às suas responsabilidades, mas para mostrar alguma seriedade, uma vez que estoirou uma bomba destas nas suas barbas. E a directora da Segurança Social como é que fica? Quem pactuou com a acumulação destas dívidas? Quem há-de assumir as responsabilidades? E qual é a situação dos trabalhadores/as destas empresas face à S. Social? Para onde foram os descontos que fizeram? Espero bem que o Sindicato da Hotelaria e todo o movimento sindical se coloque no terreno, não só para condenar, mas para exigir uma resolução séria e eficaz no que respeita aos direitos dos trabalhadores destas empresas. Entretanto, uma porta voz da S. Social declarou que as dívidas das empresas à S.S. são astronómicas, que se trata de um crime, etc etc. Mas nós ainda não vimos nenhum empresário entrar na cadeia por dívidas destas! E mais, alguém afirmou no DN que foi afastado desse serviço quando tentava pôr cobro a estas falcatruas. Se as dívidas ainda são maiores do que nós pensávamos, o caso é mais grave e não podemos deixar os prevaricadores impunes. No caso das empresas de Luís Camacho existem os hotéis, que devem ser expropriados rapidamente, para ressarcir a S. Social. Sem deixar de avançar com os processos em tribunal para punir todos os infractores, incluindo os/as culpados/as dentro da S. Social. OU SE FAZ JUSTIÇA OU NÃO VIVEMOS NUM ESTADO DE DIREITO.