A utilização de zonas rurais e zonas naturais em áreas protegidas como destino de férias ou local onde se realizam atividades de desporto e lazer, embora não seja novidade, constitui uma realidade cujo desenvolvimento é relativamente recente, permitindo uma aproximação à natureza, usufruindo-a. A Madeira, enquanto Região, tem também registado um incremento das atividades de lazer e turísticas nas suas áreas de parque natural e reservas naturais. Representando o Parque Natural da Madeira dois terços do território da Ilha da Madeira, é uma área já muita procurada por turistas nacionais e estrangeiros para a prática de passeios pedestres (utilizando os percursos das levadas) e também para a prática de outras atividades como a observação de aves, contemplação da natureza e de desportos como o Canyoning, Rapel, Asa delta, BTT e Ultra-trail, entre outros, atividades referenciadas no âmbito do designado Turismo Ativo. As práticas desportivas na Natureza, também designadas de Atividades Desportivas de Grandes Espaços ou de Adaptação ao Meio, não podem contudo ignorar as implicações que podem ter sobre o meio ambiente, bem como no desenvolvimento económico das populações que habitam as áreas onde se realizam. Nos últimos anos, diferentes atividades desportivas na natureza têm sido promovidas e realizadas na Madeira e no Porto Santo, conseguindo captar o interesse e participação de residentes e turistas, para além daqueles que, tomando conhecimento das atividades através da internet, se deslocam propositadamente à nossa Região para nelas participarem. Ao contrário do que alguns possam pensar, estas atividades podem contribuir de modo eficaz para ajudar na conservação da Natureza, através de um melhor conhecimento da relação entre prática desportiva, meio ambiente, turismo ativo e preservação ambiental, permitindo o uso deste bem comum e a exploração de um nicho de mercado tão importante para a Madeira, permitindo assim diversificar a sua oferta turística. A procura de atividades físicas e desportivas alternativas que visam o prazer, a satisfação, o bem-estar e a saúde do indivíduo, realizadas em comunhão com a natureza, constitui uma tendência crescente e atual, com capacidade de potenciar novos empregos e de promover o desenvolvimento económico, contribuindo inclusivamente para a educação ambiental, para a conservação da Natureza e para uma maior sustentabilidade do desenvolvimento regional. Estas e outras novas atividades e práticas desportivas de ar livre e de grandes espaços são atividades de animação que constituem uma oferta do Turismo Ativo e que permitem usufruir da natureza, constituindo, hoje em dia, um subsector da animação turística a que estão atualmente ligadas, na RAM, mais de cem empresas devidamente licenciadas, entre as quais algumas que oferecem desportos de aventura e outras atividades de turismo ativo. O Turismo Ativo constitui uma nova filosofia de viajar que combina aventura, ecoturismo e aspetos culturais, tratando-se de um turismo onde se inclui o Ecoturismo, o Turismo de Natureza e Turismo de Aventura. Integram atividades tão diversificadas como a Observação de Aves, os percursos pedestres e o Desporto de Natureza, para além de outras atividades que com elas compõem as designadas atividades de animação turística. Este facto reflete uma nova tendência de turismo, com um turista mais culto, exigente e com mais consciência ambiental, exigindo também uma oferta de animação turística de maior qualidade e mais sustentável. Para fazer face à maior exigência de qualidade na oferta destas atividades é fundamental mais e melhor formação dos responsáveis pela realização e monitorização das mesmas. Neste âmbito formativo tem a Universidade da Madeira vindo a oferecer, nos últimos anos, cursos de diferentes níveis de formação tais como os mestrados em Ecoturismo (atualmente em fase final de reestruturação) e em Atividade Física e Desporto (com o processo de acreditação já concluído), visando uma maior adequação às necessidades de formação superior pós-graduada e de investigação na área do Turismo Ativo, além de licenciaturas que garantem conhecimentos e competências em algumas destas áreas e ainda um curso de especialização tecnológica em Guias da Natureza. A Universidade da Madeira procura deste modo dar um contributo para a formação de técnicos superiores e de contribuir para a melhoria da oferta de atividades de animação turísticas.

João Prudente Pró-reitor da UMa