A canção «Porto Santo» composta por Max, Libertino Lopes e Teodoro Silva, todos madeirenses, cantada na voz do primeiro, foi um grande sucesso no início da década de 50. Na rádio portuguesa, que se estendia às colónias e à diáspora lusa espalhada pelo mundo, esta singela mas bem estruturada canção deu a conhecer uma ilha no Atlântico, o Porto Santo. Palavras simples, de moldura realista, que falam da praia, do mar, da uva, da lua prateada das noites de Verão, do sossego e da alegria, dos moinhos de vento, se quisermos um pouco de tudo o que a memória coletiva guarda do espaço e das vivências de cada um que visitou ou residiu em Porto Santo. O que a maioria das pessoas não sabe é que esta canção surgiu duma encomenda ou de um pedido, solicitado ao cantor Max. O objetivo era fazer um ‘’jingle’’ publicitário para a Companhia das Águas do Porto Santo, consideradas pelas análises públicas efetuadas ao tempo como «bacteriologicamente puras». Os mais antigos lembram-se com certeza dos rótulos das garrafas de vidro da «Água do Porto Santo». Ora bem, o Max disse que sim e numa primeira fase meteu-se ao caminho com o Teodoro Silva o letrista, tendo já criado a melodia da primeira parte da canção. É nesta fase, que recorre ao amigo e grande músico Libertino Lopes (pianista, acordeonista e contrabaixista) para compor uma segunda parte com a restante letra. O Libertino Lopes tocava no Solar da Dona Mécia, uma casa de espetáculos na Rua dos Aranhas e segundo esta ‘’história de músicos’’, em pouco mais de meia hora tinham a canção finalizada. Max vai para Lisboa, de barco, o único transporte na altura, contacta o seu agente e depois um produtor discográfico. Gravam o ‘’jingle’’, ouvem o resultado final, e foi quando alguém disse: «esta música vai ser o próximo sucesso da rádio e do disco em Portugal». E foi! Até hoje, a canção tem traduzido em música e palavras a pequena ilha, numa verdadeira publicidade aos seus atributos. Precisamos de outros gestos, incentivos e iniciativas que enquadrem o destino Porto Santo (a sua gente e cultura), premissa fundamental para sustentar um futuro coerente e solidário, diminuindo a dupla insularidade de quem lá vive. A começar pelas ligações aéreas, ao espaço nacional e europeu, que são o cerne do seu próprio desenvolvimento. Mas, isso são decisões políticas. Até lá, vivam a beleza da Ilha e o que ela tem de melhor, as pessoas.
Vítor Sardinha Músico