A necessidade de fazer muito com pouco leva-nos à exigência da escolha e, esta, depende, regra geral, da qualificação dos resultados esperados. Ao contrário, a abundância de recursos, habitualmente, afasta aquele rigor imposto pela necessidade de conhecer “o que se recebe de volta” e o retorno pode, muito facilmente, ser transformado noutro qualquer embora longe e diverso da razoabilidade que se impõe à boa gestão das “coisas”. Também, quase por definição, a qualificação do retorno é assumida por quem dispõe dos recursos. São múltiplas as situações com que nos deparamos no dia-a-dia. Quem empresta dinheiro deseja ver garantida a sua rentabilidade e o seu retorno, o que, inevitavelmente, impõe uma rigorosa analise da escolha com vista à boa aplicação daquele recurso, visando, também, o seu incremento. Quem investe procura um efeito que permita aumentar a rentabilidade, obter economias de escala, garantir maior eficiência e eficácia, entre outras boas consequências, logo a exigência da melhor opção surge como condição para o objectivo proposto. Quem gere dinheiro público, à partida, aplica-o para a melhoria das condições de vida das respectivas populações: na saúde, na educação, na habitação, nas acessibilidades, na segurança, entre tantos outros domínio que ajudam a compor a recompensa dos impostos e contribuições a que estamos vinculados. A dificuldade que se coloca à qualificação do retorno é que faz dele algo de especial. A análise ao retorno resultante da aplicação de qualquer recurso exige competência, implica conhecimento, requer estudo, impõe rigor, carece de imparcialidade. Qualquer apreciação sobre o retorno que seja anunciada sem que transmita confiança será tudo menos a justificação para a correspondente motivação. É catalogada, desde logo, como mais um argumento, uma banalidade, um faz-de-conta, uma ilusão, até mesmo uma mentira. Apenas serve para qualificar o seu autor. Nada mais! Nunca justificará os recursos envolvidos. É a negação da própria existência daquela análise. Por fim, o facto do retorno poder assumir, simultaneamente, várias formas, nada tem a ver com a multiplicidade de meras ideias ou a diversidade de opiniões, tão vasta como a fauna que habita a terra.
Eduardo Jesus Economista