De hoje a oito dias termina o Mundial de futebol e há muito tempo que temos uma certeza: Portugal não será campeão. Nem sequer ficou nos 16 melhores. Fez uma campanha fraquinha, desde o apuramento até ser afastado. E até tivemos sorte nos grupos. O do apuramento era dos mais fracos de sempre, e mesmo assim foi preciso jogar um play-off. No Brasil exigia-se ao quarto país do ranking mundial que não tivesse problemas em ultrapassar Estados Unidos e Gana. Pura ilusão.

O certo é que falhámos, jogámos mal e nem as nossas estrelas, a começar pelo melhor do mundo, mostraram categoria para seguir em frente. Se houve eliminação justa foi a nossa, infelizmente. Uma equipa medíocre, com um treinador ainda pior não podia ir mais longe.

Curioso é que perante tão triste comportamento da selecção, sejam raríssimas as opiniões críticas dos entendidos da bola. Manuel José foi uma honrosa excepção. Ninguém tem coragem de dizer que o seleccionador é fraco, ainda mais teimoso do que o Scolari e que bloqueia perante os problemas. Nenhum clube digno desse nome o queria, mas parece que a selecção até vai mantê-lo, numa atitude masoquista.

Falhou o Paulo Bento, falharam quase todos os jogadores, Ronaldo incluído e de Portugal fica uma imagem triste. Igual à de outras selecções de top, é verdade, mas nem assim desculpável. Sobretudo com aqueles argumentos anedóticos do calor, humidade e diferença horária que, segundo alguns comentadores profissionais, só se conjugavam contra nós. Reacção infeliz, a lembrar aquelas asneiras do Bento sobre a falta de laranjas ao pequeno-almoço, depois de um massacre de 5-0 em Moscovo, no início da década de 1980.

De Portugal ficou a triste figura e a incapacidade de assumir a necessidade de mudar de cima abaixo. Logo após o desastre, apressaram-se os tais especialistas a dizer que Paulo Bento deve pegar num 'núcleo duro' (leia-se grupo de jogadores medíocres que abanam a cabeça ao treinador e têm todos o mesmo agente) e começar novo ciclo. Ninguém diz o que é um facto: a selecção não é um clube e deve ter, em cada jogo, os jogadores que se apresentem em melhor forma. Mesmo que para isso seja preciso deixar em casa os Postigas e Meireles do costume. Até mesmo os Ronaldos se precisarem de descanso e tratamento e tiverem como prioridade os penteados, os anúncios e os autógrafos.

Quem acabou por amenizar a tristeza de Portugal, porque permitiu produzir um grande número de anedotas, foi outro madeirense: aquele rapaz que foi vender bilhetes no mercado negro, numa terra que inventou essa arte. Um jovem 'empreendedor' que deve fazer parte daquela 'inteligência' madeirense que queriam exportar. Um Ronaldo da candonga que já tem experiência internacional.