Entende-se por coligação a união de diversas forças com identidade própria para atingirem um determinado objectivo com base num programa aprovado por todos os intervenientes, havendo um dos seus elementos que será o coordenador de todo o trabalho a desenvolver. Vem isto a propósito da coligação Mudança feita no Funchal entre os seguintes partidos: PS, PND, MPT, PTP, BE e PAN com o objectivo de vencer as eleições para a Câmara Municipal do Funchal e obviamente derrotando o partido lá instalado desde 1976, ano em que houve as primeiras eleições democráticas para as autarquias, embora a Comissão Administrativa que lá esteve logo após o 25 de Abril, já seguisse essa linha partidária, mesmo tendo dando indicações e encostos ao PS (uma boa história para ser contada noutra ocasião). Assim aconteceu, foi escolhida a equipa para concorrer, com a inclusão de pessoas indicadas pelos respectivos partidos, militantes ou não, mas curiosamente só o PND apresentou um dos seus dirigentes e tivemos a vitória da Mudança, entrando para a vereação aqueles que faziam parte da lista em linha reta. Todos os poderes pertencem ao Presidente que os pode delegar ou não aos vereadores, assim como retirá-los quando assim o entender. Note-se que só um dos elementos tinha experiência autárquica, pois fez parte da vereação anterior. A partir do dia da posse, foram distribuídos os pelouros pelo presidente entre os vereadores que ficaram a tempo inteiro, mais ou menos a gosto de cada um e de acordo com as qualidades que cada um deles tivesse manifestado ter. Contudo o coordenador do grupo deveria ter sempre conhecimento dos assuntos mais importantes que fossem tomadas decisões, mas a partir de determinada altura passou a ter mais reclamações do que informações. Soube de algumas decisões que deitei as mãos à cabeça por representarem demasiada ignorância sobre a matéria em causa. Certamente que houve tentativas de conversas no sentido de que as decisões, tomadas de posição e maneira de falar, fossem mais de acordo com os objectivos, mas sem resultados práticos. Há pessoas que até podem ter razão, mas a maneira como atuam ou como falam, tiram-lhes toda a razão. Houve necessidade de remodelar o executivo, pois três dos seus membros saíram e viraram-se contra os que ficaram, em especial do seu presidente. Nada de anormal se não fosse a maneira como o fizeram e hoje mesmo, dia em que estou a escrever este artigo, discutiu-se uma moção de censura apresentada pela nova coligação: PND, PTP e PPD/PSD, o que vem demonstrar que os dois primeiros partidos nunca estiveram interessados em democratizar a Câmara do Funchal, preferindo juntar-se ao “inimigo” só numa tentativa de dizer mal daqueles que ficaram e daqueles que entraram depois da sua saída. O motivo foi o facto do Presidente da Câmara Paulo Cafôfo, ter participado em actividades partidárias do PS, nomeadamente na apresentação da candidatura do seu chefe de gabinete à concelhia do PS. Aliás já antes tinha-se manifestado contra a nomeação do Chefe de Gabinete de dois adjuntos, alterando o nome de um deles para que ficassem conotados com outras pessoas ligadas ao PS/M desde a sua fundação!!!! Esta artimanha parecia mais uma atitude daqueles que nos governam desde que surgiu a democracia no continente e nos Açores, do que pessoas que fizeram parte da 1ª coligação. Esta moção de censura esquece que o actual Presidente da Câmara participou em mais reuniões do Bloco de Esquerda do que do PS!!!! Será que Paulo Cafôfo não tem direito a vida própria? Que eu saiba, nada da sua actuação fora da Câmara influenciou as suas decisões como Presidente….Será que o ex vereador que pertencia à direcção do PND, deixou de participar em reuniões do seu partido enquanto foi vereador? Paulo Câfofo não é militante do PS e os compromissos que tem com a coligação não o impedem de participar em outros atos ainda que partidários como aconteceu com o Bloco de Esquerda e o Partido Socialista? Ou será que existem pessoas que querem todo o protagonismo só para si? O resultado da votação acabou por demonstrar a palhaçada do PND e do PSD, este a ter assinado o documento sem o ler, só com a ânsia de dizer mal da coligação e acabando da seguinte maneira: Abstenção de todos os que assinaram o documento, com excepção do lider do PND, que foi o único que votou a favor, abstenção do CDS, saída de alguns do PTP e do PND da CDU e parece que também do PSD O executivo da Camara agora funciona como um organismo solidário, com todos a remarem na mesma direcção. As reclamações diminuíram drasticamente como têm demonstrados as ultimas reuniões mensais que são públicas, mas que certamente que poderão aumentar com a presença de pessoas devidamente orquestradas por terceiros… Resta dizer que esta moção de censura é uma autêntica palhaçada porque não teria consequências nenhumas, mas serviu para derrubar uma segunda coligação a concorrer às próximas eleições regionais: PPD/PSD, PND e PTP….Bonito, não é? E quem haveria de dizer que o PND, condenado a pagar indemnização ao JM, tenha vindo, pela mão do PSD à primeira página do Jornal da Madeira?????

Duarte Caldeira