Da semana que passa ficam sob suspeita os que foram ao chão com o PSD-M. Na última barracada, quem deles esperava mais consistência e arrojo, um grito de revolta, uns apupos bem sonoros, viu abraços e brindes, rendição aos ímpetos do chefe e lealdade aos seus ensinamentos. Não admira que os trovadores já desesperem. Sem Jardim, que lhes alimenta a alma, a escrita e a raiva, o emprego, o cargo e o sonho, acaba-se o tempo de facilidade.
Miguel Albuquerque. Lidera uma sondagem. Podia ter feito uso da vantagem de 20 pontos sobre a concorrência. Preferiu transmitir a ideia que a sua máquina não tem meios, que continua a ser vítima preferencial do jardinismo e que dois secretários regionais continuam a massacrar militantes. O que dará mais votos a 19 de Dezembro: o passado selado com aquele abraço a Jaime Ramos ou o futuro?
Cunha e Silva. Lidera em número de assinaturas entregues na sede. Outra ilusão. Como só 100 eram precisas, 900 de nada servem. Seria então mais lógico que apresentasse uma centena de nomes susceptíveis de serem mobilizadores. Optou por um excedente. Pode indiciar que suspeita da capacidade electiva de alguns, da vontade higiénica do Secretariado ou da Jurisdição ou então dos níveis de pressão alegadamente exercida por mandatários ou secretários sobre os funcionários públicos.
Sérgio Marques. Lidera em exigências. Quer candidatos no Governo a renunciar aos cargos, embora, vá lá saber-se porquê!, não tenha estendido tamanho repto a quem ocupa a vice-presidência da ALM. Alguém se lembra da posição por si assumida quando Jardim e Albuquerque disputaram as últimas eleições internas? Pediu a ambos para optarem pelo temporário desemprego político? Para haver eleições limpas nenhum dos candidatos deveria beneficiar das mais valias da coisa pública. Mas todos têm cadastro a esse nível.
Jaime Ramos. Lidera em negócios obscuros, palavreado fútil e oportunidades perdidas. De que serviu ‘discursar’ se nem coragem teve para assumir o que anda a fazer com as assinaturas que recolhe em nome de uma alegada candidatura. Se dúvidas houvesse sobre o calibre de quem se estatela ao comprido quando é elementar ser vertical, ficou claro que “a luta continua”.
Manuel António Correia. Lidera em contabilidade organizada. Se é verdade que tem em muitas freguesias o apoio de 150 militantes é um vencedor antecipado. Se as contas estiverem certas terá mais votantes do que militantes. Nem precisa de andar a distribuir certificados nas Casas do Povo, nem forçar a presença em inaugurações.
Miguel de Sousa. Lidera no capítulo da inovação. Transforma barracas de espetada em sedes de campanha, faz da festa do partido uma vistosa acção de propaganda e até com uma pergunta da sondagem implica. Quem tem marketing, tem quase tudo, mesmo que lhe falte para já o essencial, uma base alargada de apoio.