Sérgio Potier Nos anos 30 e 40 do século passado, Ricardo Espirito Santo teve tudo: uma grande família, muitas vitórias desportivas, bom gosto como colecccionador de arte, dinheiro e poder. Liderou o maior banco português, a empresa de petróleos Sacor, a seguradora Tranquilidade e outros negócios. Teve tanta ou mais influência no País do que tem o teve hoje o seu neto, Ricardo Salgado, que parece ter caído em desgraça. Porém, este regime, nunca teve força para controlar a influência de gente poderosa. É um regime que chegou sempre atrasado para evitar males maiores.

Recordo que no Estado Novo, dando um breve exemplo, que António Champalimaud, tentou concentrar a banca através da compra do BPA sendo único accionista do BPSM, coisa que não agradou ao governo de Marcello Caetano, o que significava que nessa época o governo protegia esses ricaços, mas também os limitava. E Marcello Caetano para evitar essa concentração fez um despacho anulando o negócio do BPA, e assim o governo garantiu ao Estado o essencial: que o equilíbrio bancário do regime permanecia intocado e que Champalimaud não conseguiu tornar-se no gigante da banca.

Há regimes e regimes. Uns são fracos, outros são fortes. Este parece ser mais forte com os fracos e menos com os fortes.

Vamos ver qual o desfecho do que se está a passar com Ricardo Salgado.

Será mais um intocável? A justiça o dirá.