Apesar de criado pelo homem e para o homem o desporto passou a fazer parte da rotina das mulheres. Em 1926, um jornal da cidade fazia referência de que “a rotina preconceituosa que afirmava ser a mulher inadaptada à prática desportiva, vai a pouco e pouco cedendo terreno. Hoje a mulher procura ardentemente nivelar-se ao homem em todas as manifestações de vitalidade tendo consciência de que o seu papel não se deve restringir ao espaço acanhado que vai da sala de costura à sala de jantar” (Sport doFunchal, 4 de Agosto).

A ideia de que o mundo desportivo foi pensado de e para os homens e de que no que respeita à sua implantação e desenvolvimento cabia-lhes o domínio, quer enquanto dirigentes, quer como praticantes é, ainda hoje, muito actual apesar de começar a ser contrariado, em especial, desde o início do novo século.

Foi uma mulher, e portuguesa, a primeira a assumir o comando técnico de uma equipa profissional do escalão secundário da Liga Francesa.

CarolynStillfoi a presidente do clube inglês da quinta divisão, o MansfieldTown. Podemos encontrar outras presidentes na história do desporto mundial, de que são exemplo Patrícia Amorim (Flamengo), María Victoria Pavón (CD Leganés), FrancescaMenarini (Bolonha) e RosellaSensi (AS Roma).

Muitas outras brilharam nos palcos desportivos, essencialmente masculinos, e outras passarão a brilhar, mesmo quando são alvo de piadas clubistas,quandonada mais têm a apontar. Nem sobre o plantel, sobre o treinador, sobreas escolhas ou sobreas competições em que estão envolvidos.

Pelos exemplos que temos, acredito que se existissem mais mulheres em lugares de destaque, o desporto nacional não estivesse tão ausente de valores.

Andreia Nascimento