Numa procura constante do financiamento, os artistas, administradores, executivos e empreendedores estão a descobrir constantemente novos modelos de obtenção do capital e a verificar se podem ser adaptados para financiar as artes. Um deles é “crowdfunding” (financiamento colaborativo), que implica a construção de uma rede de investidores que deposita as doações numa conta única. Uma ideia que não é nova mas que ganhou outra dinâmica quando implementada através da Internet. Assim, o êxito deste tipo de iniciativa depende muito da vontade dos fans, amigos e amigos de amigos, de juntarem os seus esforços para chegarem à meta declarada do financiamento.
O projeto publicita-se sobretudo através dos sites globais, tais como Kickstarter ou Artspire, e assim o vasto mundo da Internet tem a oportunidade de apoiar os projetos que achar mais atraentes. Por exemplo, em 2012, a cantora de rock/punk/cabaret Amanda Palmer, pretendendo financiar o seu novo CD, acabou por arrecadar 1.2 milhões de dólares. No mesmo ano, o projeto de um novo livro de Seth Godin, escritor americano, chegou em 3 horas aos 40 mil dólares e até ao fim da primeira semana aos 250 mil dólares.
Na área da música erudita e contemporânea, demorou algum tempo até este modelo chegar a ser abraçado, mas o sucesso dos quartetos Kronos e Brooklyn Rider e alguns compositores de música sinfónica e operática vai de certeza abrir o caminho para outros.
No entanto, ainda mais de metade de iniciativas falha o seu alvo de financiamento e em muitos casos, dependendo do site, isso significa que o projeto acaba por não receber nenhum dinheiro.
De qualquer maneira, o processo moroso e incerto de pedidos escritos de subsídios está gradualmente a ser substituído pela atividade nas redes sociais, aproximando-se assim a época em que será eliminada a maioria de “intermediários”, institucionais ou corporativos. A mudança do paradigma ocorreu dentro de duas gerações: primeiro chegaram a afirmar-se editoras e projetos independentes para, a seguir, os artistas terem tomado a consciência de que a arte de empreendedorismo é cada vez mais crucial para o êxito das suas carreiras.
E foi assim que, por exemplo, Musopen, um projeto sem fins lucrativos dedicado à criação de gravações, partituras e outras fontes da música de grandes compositores, no ano passado conseguiu o financiamento de cerca de 90 mil dólares, exclusivamente para gravar a obra completa de Chopin.
Robert Andres