O Ministério da Educação e Ciência definiu um conjunto de estratégias com o objetivo de desvalorizar a classe docente. Em vez de rentabilizar as competências dos professores, impõe medidas políticas que, na sua essência, não valorizam a escola pública nem contribuem para o sucesso dos alunos, mas servem para afastar os docentes das escolas. Para este governo, a prioridade reside na diminuição do número de professores, “quanto menos melhor”, como se pode verificar na recente legislação que atribui prémios financeiros às autarquias que conseguirem reduzir o número de professores nas escolas.

O desenvolvimento das novas tecnologias e o acesso fácil à informação revolucionou a sociedade do conhecimento, todavia, embora a aprendizagem deva constar da lista das responsabilidades pessoais e dos principais deveres de cada um, a presença do professor é insubstituível neste processo de ensino e formação integral dos alunos.

A figura do professor marca a diferença, porque é a presença do humano com sonhos e frustrações, com defeitos e virtudes, com um saber e uma história de vida, com uma experiência e uma memória, é uma pessoa que está, durante muitas horas, próxima do aluno, alguém com capacidade de ouvir e de se fazer ouvir. É um ser humano que ajuda outros seres humanos, em fase de aprendizagem, a questionarem e a se questionarem, a se conhecerem e a estudarem numa perspetiva de construírem o seu próprio destino.

Como em todas as profissões, existem bons e maus profissionais, contudo, não tenho dúvidas de que a maioria dos professores exerce a sua missão educativa de modo competente, conscientes de que são uma referência para os alunos e que aceitam este papel sem nunca abdicarem da ética e dos valores na sua prática profissional.

Rui Caetano