Pedro Melvill de Araújo No início da civilização, quando os homens começaram a ter conhecimento de si próprios e da sua capacidade de se juntarem e em conjunto iniciarem processos conducentes ao bem comum.
Antes de construírem coisas que, sem dúvida, lhes seriam úteis, começaram por identificar quais as suas necessidades básicas e como as poderiam satisfazer. Só depois, já bem seguros de que as suas necessidades básicas estavam asseguradas passaram para outros patamares. Começaram com as atitudes antes das construções.
Com o correr dos séculos, com a ambição e a estupidez própria, como é sabido, do género humano, foi-se dando mais importância à construção e menos à atitude.
Sem atitude a construção é vazia de conteúdo e deixa de cumprir o papel para que foi criada: suprir as necessidades básicas que a atitude definiu.
Não é importante se se vai construir um hospital novo, se se vai alargar o que já existe, se se o vai deixar como está porque assim está bem, ou até porque não há dinheiro.
É importante a atitude que está por trás, a atitude que bem pensada levou à decisão.
Se se não modificam atitudes, relações, motivações, o trabalho (aqui incluo o tempo, o estudo, o querer) terá sido em vão.
E, a atitude tem de passar por iniciar uma identificação eficiente de quais são as necessidades básicas e de quem as deve providenciar.
No meu modesto ponto de vista, neste caso, as necessidades básicas começam em casa e, em caso de doença, começam sem qualquer dúvida pela Medicina Geral e Familiar. Só depois e com as bases de boas relações interpares com cuidados mais diferenciados é que se deve partir para um outro estádio.
Como nunca é tarde para aprender, aprendamos as lições que o tempo sempre tem para oferecer, comecemos pelas atitudes, pela mudança das mesmas quando erradas, para só depois se discutir a construção.