Conceição Pereira Acabei de ler no DN de 13/7/2014 um artigo de opinião de José Tolentino Mendonça, reportando-se a uma carta de Rosa Luxemburgo. Diz ele que essa carta é um hino à vida e elogia a sensibilidade e humanidade da autora. No mesmo exemplar do DN, Rafael Andrade, numa “carta do leitor”, fala da alegria, como mensagem do Papa Francisco e do Cristianismo. Diz ele que um santo triste é um triste santo.
Há anos escrevi um texto abordando a vida como uma dádiva: “A vida é pra ser vivida/hora a hora/dia a dia/sem deixar tempo ao desalento/ nem espaço à cobardia...”
No entanto, oficiais do exército alemão, fardados, atiraram sobre Rosa Luxemburgo e tiraram-lhe a vida aos 38 anos.
Mas quem foi Rosa Luxemburgo? Em poucas palavras, foi uma mulher polaca, nascida em 1871, perseguida na sua terra pela sua actividade política, que se refugiou na Alemanha, aí casou e tomou a nacionalidade alemã. Na sua biografia está escrito que foi filósofa, economista, marxista. Como teórica do marxismo, combateu as teorias revisionistas de Bernestein. Foi co-fundadora do Partido Comunista da Alemanha, fundou o jornal “Bandeira Vermelha”, defendeu a greve geral política (Greve Geral, Partido, Sindicatos), publicou um Tratado de Economia em 1913 “Acumulação do Capital”. Lutou para impedir a 1ª Guerra Mundial de 1914-18, posição essa que a levou à prisão durante a guerra. Era anti-militarista e internacionalista e pertenceu às minorias discriminadas e perseguidas.
Ainda gostaria de acrescentar que ela foi co-responsável pela instituição do Dia da Mulher, pois foi Clara Zetkim, com o apoio de Rosa Luxemburgo, que apresentou a proposta na Internacional Socialista, creio que em 1910, para que o dia 8 de Março fosse consagrado à Mulher, em memória da luta das costureiras de Nova York.
Só muitos anos mais tarde este dia foi aceite pela ONU como dia Internacional da Mulher.
Este é um pequeno apontamento da vida e obra de Rosa Luxemburgo, para que se saiba que, falando em termos gerais, os/as comunistas são pessoas sensíveis, humanistas, generosas, que passam a vida a lutar pelo bem comum e em troca recebem, geralmente, a ingratidão, o desprezo e até tratamento cruel, chegando mesmo ao assassínio, como aconteceu a Rosa Luxemburgo, que foi assassinada a tiro em 1919, aos 38 anos, por oficiais fardados do exército alemão.