“Aqui’ntrodia” tive oportunidade de participar num evento no Funchal, no qual o senhor Vieira foi um dos oradores. O Vieira é um vicentino com quem já não me cruzava há muito tempo, que se dedicaao estudo e investigação na área da história, mas que também sabe muitas histórias que não vêm nos livros. Como Vieira já não vem ao Norte vai algum tempo - segundo ele, tem ando em investigações fora da ilha - aproveitamos o intervalo para o almoço para pôr a bilhardice em dia. Conversa puxa conversa, falamos de muita coisa, usos e costumes, vinha, vinho, jaqué e negra mole, cal, e também da cana de açúcar. Ora o Vieira sabe muito da historia do açúcar na Madeira e, por isso, aproveitei para o informar que a plantação de cana estava a voltar a São Vicente. Ao que ele pergunta: está na moda? Ou é mais uma daquelas histórias do Ti Alberto? (Note-se que Ti aqui não é um familiar, mas no sentido que se lhe dado na Santa do Porto Moniz: um individuo muito conhecido na localidade - e não só - mas que vive no Funchal desde novo e só vem ao Norte de vez em quando, normalmente só nos arraiais). A propósito, aproveitei para lhe perguntar se o tem visto, é que ouvi dizer, e já não foi “aqui’ntrodia”, foi já aqui há tempos, que ele tinha embarcado ou ia embarcar para Londres?. - Ah ele já diz isso há muito tempo, mas é só para entreter os vizinhos que não o gramam. O que é que ele vai para lá fazer? E agora, com a idade dele, quem é que o quer lá fora? Parece que sai muitas vezes, mas nunca larga a Madeira e as coisinhas que tem aqui. E faz bem! Isto é um paraíso! Olha “aqui’ntrodia” vinha de Lisboa e encontrei-o no aeroporto. Não sei se vinha ou se ia, mas reparei que já está a ficar abatido. -Ah pois! A idade não passa só para a gente. Parece que foi “aqui’ntrodia” que andávamos na escola e já lá vão 40 anos que foi a festa de finalistas.
Joel Freitas, Presidente da ACIN