No Funchal são abatidos pela Spad entre 100 e 150 animais (cães e gatos) por mês “Penso que seriam necessários estudos básicos, muito simples, em que a criança aprenderia que existe no seio do universo, num planeta cujos recursos terá de administrar mais tarde, que depende da água, do ar, de todos os seres vivos, e que ao menor erro ou à menor violência se arrisca a destruir tudo.” “Uma civilização cada vez mais afastada do real faz cada vez mais vítimas, entre as quais ela própria se conta.” Marguerite Yourcenar “Não podemos colocar uma sensibilidade fabricada no lugar da ausência de sensibilidade, não há nada que preencha este vazio frouxo que nada retém, e isso é natural a partir do momento em que nada está ligado ao todo ou, melhor dizendo, à inteligência.” “Ser de esquerda é não ter chefe. Já me esquecia: é ter um entendimento infinito que está relacionado com os animais, as ideias, com o tratamento à escala planetária, das baleias, das árvores, do ar. É não poder agir de outra forma, nunca, em caso algum.” Marguerite Duras No Funchal são abatidos pela Spad entre 100 e 150 animais (cães e gatos) por mês. (É um número “que o PAN estima por via dos contactos que tem desenvolvido” e do qual tenho conhecimento através de conversas informais.) Há cães a serem “recolhidos” por camiões da Câmara em condições brutais e indignas. (Uma imagem simbólica: dois cães numa jaula, num camião da Câmara, ao lado de dois contentores de lixo.) Como é possível sensibilizar a população para os direitos dos animais se as autoridades demonstram um total desprezo pela sua vida e a sua dignidade? Os animais sentem a dor, o cansaço e o terror como nós os sentimos. O indivíduo que não é sensível ao sofrimento do animal, não é sensível ao sofrimento dos humanos. Poderá obedecer a restrições sociais, mas a crueldade estará sempre latente. À espera. E, desta vez cito Tennessee Williams, o único crime imperdoável é a crueldade deliberada. É impossível ignorar esta situação. De contrário, como poderia sentar-me a ouvir música, entrar numa galeria para ver um quadro, ou simplesmente olhar um animal nos olhos? Ana Teresa Pereira

No Funchal são abatidos pela Spad entre 100 e 150 animais (cães e gatos) por mês

“Penso que seriam necessários estudos básicos, muito simples, em que a criança aprenderia que existe no seio do universo, num planeta cujos recursos terá de administrar mais tarde, que depende da água, do ar, de todos os seres vivos, e que ao menor erro ou à menor violência se arrisca a destruir tudo.” “Uma civilização cada vez mais afastada do real faz cada vez mais vítimas, entre as quais ela própria se conta.” Marguerite Yourcenar “Não podemos colocar uma sensibilidade fabricada no lugar da ausência de sensibilidade, não há nada que preencha este vazio frouxo que nada retém, e isso é natural a partir do momento em que nada está ligado ao todo ou, melhor dizendo, à inteligência.” “Ser de esquerda é não ter chefe. Já me esquecia: é ter um entendimento infinito que está relacionado com os animais, as ideias, com o tratamento à escala planetária, das baleias, das árvores, do ar. É não poder agir de outra forma, nunca, em caso algum.” Marguerite Duras No Funchal são abatidos pela Spad entre 100 e 150 animais (cães e gatos) por mês. (É um número “que o PAN estima por via dos contactos que tem desenvolvido” e do qual tenho conhecimento através de conversas informais.) Há cães a serem “recolhidos” por camiões da Câmara em condições brutais e indignas. (Uma imagem simbólica: dois cães numa jaula, num camião da Câmara, ao lado de dois contentores de lixo.) Como é possível sensibilizar a população para os direitos dos animais se as autoridades demonstram um total desprezo pela sua vida e a sua dignidade? Os animais sentem a dor, o cansaço e o terror como nós os sentimos. O indivíduo que não é sensível ao sofrimento do animal, não é sensível ao sofrimento dos humanos. Poderá obedecer a restrições sociais, mas a crueldade estará sempre latente. À espera. E, desta vez cito Tennessee Williams, o único crime imperdoável é a crueldade deliberada. É impossível ignorar esta situação. De contrário, como poderia sentar-me a ouvir música, entrar numa galeria para ver um quadro, ou simplesmente olhar um animal nos olhos?

Ana Teresa Pereira