Rafael Andrade Vi na capa duma revista de língua inglesa a gravura do Papa Francisco de polegar em riste fazendo o sinal OK de sorriso aberto, a acenar à multidão. Mais à frente o pontífice, ignorando a guarda pessoal, salta do automóvel, aproxima-se duma mulher que lhe apresenta um menino vestido de papa. Segura-o, beija-o e devolve-o à mãe. Tudo isto no meio de risos esfuziantes. Estes gestos simples, simbólicos e inesperados do pontífice fazem todo o sentido se tivermos em conta a linguagem dos sinais. Na nossa perspectiva, OK quer dizer exactamente uma das principais características do Evangelho. – Alegria, optimismo, partilha, convicção. Recordo-me dos tempos da minha juventude e mesmo infância, quando se considerava – por exemplo, quaresma, advento, vigílias, semana santa – tempos de completa tristeza e penitência. Está claro que a penitência é insofismável e absolutamente necessária. Não é em sentido crítico ou depreciativo que faço esta referência, uma vez que quanto os nossos maiores fizeram e legaram constitui tesouro e vivência profunda da Palavra de Deus. E – diga-se a verdade – tudo quanto hoje temos constitui preciosa herança dos antepassados. Temos de facto a fé que herdámos dos nossos pais e avós. Alegria sempre foi uma evidente característica do Cristianismo.. Alegrai-vos sempre no Senhor (fip) – que alegria quando me disseram vamos para a casa do Senhor – (Sal121) Cantarei eternamente (Sal 188); Alegrem-se os céus, exulte a terra (lit.Natal) O papa Francisco escreve assim. «O grande risco do mundo actual, com sua múltipla e avassaladora oferta de consumo, é uma tristeza individualista que brota do coração comodista e mesquinho. Com Jesus Cristo, nasce sem cessar a alegria trazida pelo Senhor. Dela ninguém é excluído. Lembro-me de, há muitos anos, ter ouvido um velho bispo dizer-nos isto – «rapazes, quando estiverdes tristes pegai numa bola e jogai, jogai...». E, vezes sem conta – um santo triste é um triste santo – trocadilho que nos refere quão necessária é a alegria no contexto vivencial. Torna-se indispensável um ambiente de sã alegria de viver ainda mais, quando todos os indicadores mostram que, por várias razões uma enorme percentagem de jovens não atingirá a idade dos seus progenitores.