Marcelino Ferreira Então, não é que o Ramos sénior quer mandar mas não governar. Para quê se dar ao trabalho de conquistar o voto do povo madeirense, quando basta ganhar o voto dos militantes do partido. Ele, melhor do que ninguém, sabe que na Madeira o verdadeiro poder reside no partido e não no governo. Quem manda no PSD-M manda na Madeira – que se lixe a Quinta Vigia. Ao ganhar a presidência efectiva do partido (porque, para todos os efeitos, há muito que Ramos é o verdadeiro líder da máquina partidária), o homenzinho pretende escolher o próximo presidente do governo regional. Não é segredo, dentro do partido, que Ramos sénior pretende pôr uma marionete na Quinta Vigia, a aquecer a cadeira da presidência, enquanto o Ramos júnior vai acumulando capital político suficiente para poder conquistar o voto popular. Diz-se que o Albuquerque será a marionete preferida do Ramos, dado a sua popularidade no Funchal e o facto de não ter os meios financeiros -- ao contrário do (grupo) Sousa -- para comprar os apoios necessários à liderança do partido. O que o Ramos sénior não parece compreender, é que os seus sonhos de uma dinastia política (ao estilo família Soares), estão destinados ao fracasso, dado que o Ramos júnior não só herdou as empresas e cargos políticos do pai, mas também a sua personalidade -- totalmente desprovida de carisma e antipática, sem perfil político para conquistar o voto popular.