As recentes declarações de Manuel Machado, agastado pelo apoio ‘encarnado’ nas suas barbas no jogo com o Benfica, desencadeou uma série de reacções negativas, naturalmente dos adeptos benfiquistas na Madeira. Também o treinador nacionalista não podia esperar, num estádio que tinha até então uma média de 1500 espectadores por jogo, que, de repente, no jogo com o Benfica surgissem cinco mil adeptos a apoiar o Nacional. De qualquer forma, houve reações , nomeadamente nas redes sociais, de muita gente que rotularia de incauta e imiscuídas de má fé, nomeadamente quando se apresenta os subsídios do erário público aos principais clubes madeirenses como razão maior para não os apoiar. Marítimo e Nacional são clubes centenários, cuja história se mistura com da própria região. Hoje por hoje não são clubes meramente do ‘pontapé da bola’, vão muito para além disso. Nomeadamente o Marítimo, tal como no passado, hoje com um colégio, uma Fundação com fins solidários, e mantendo uma actividade de carácter social muito acentuada. Para além da desportiva de carácter formativo. E, por falar em apoios do estado ou das autarquias aos clubes, vamos lá esclarecer algumas coisas que se passam lá no Continente português . O Benfica encaixou 65 milhões à custa do contrato-programa firmado com a Câmara Municipal de Lisboa, no âmbito do Euro 2004, que levou mesmo a PJ a concluir que o município então presidido por Santana Lopes, instrumentalizou a EPUL para financiar o Benfica. O inquérito centrou-se no contrato-programa assinado, em Julho de 2002, pela Câmara de Lisboa, EPUL, Benfica e Sociedade Benfica Estádio SA. O acordo fixava os moldes da participação da EPUL na construção do novo Estádio da Luz, para o Euro 2004. Um relatório da Inspecção-Geral de Finanças (IGF), que suportou o trabalho da PJ, apontou défices de transparência ao contrato-programa, referindo que as formas de apoio acordadas e atribuídas ao Benfica consubstanciam verdadeiras comparticipações financeiras, concedidas por instâncias municipais. A IGF considerou mesmo que o contrato contrariou os normativos legais vigentes. Houve arguidos, mas apenas isso. No FC Porto, a câmara municipal de Gaia, presidida por Luís Filipe Menezes, construiu o centro de estágio no Olival, que hoje é do FC Porto. A Caixa Futebol Campus, no Seixal, hoje a academia do Benfica, foi financiada, fundamentalmente, pela Caixa Geral de Depósitos. E há muitos outros exemplos à volta dos ditos três grandes do futebol português (e não só…) que, em conjunto, acumulam quase mil milhões de passivo. Se isto não é dinheiro do erário público para estes ditos clubes grandes, vou dar uma volta e já venho! Por muito menos o estádio dos Barreiros já estava pronto. O apoio do erário público ao futebol profissional da Madeira pode e deve ser equacionado. Mas se alguma virtude teve e tem, é que sempre foi transparente. Também já teve melhores dias e, hoje, Nacional e Marítimo estão muito longe de subsistirem apenas à custa destes apoios. Mas foi apenas um esclarecimento. PS: Nacional e Marítimo continuam a jogar as suas cartas pela Liga Europa. Mas há que convir que, para já, quem tem os trunfos na mão é o Nacional. Vamos lá ver quem joga melhor as cartas, espantando-me, contudo, que o Marítimo, apenas fazendo bluff, face às suas limitações, ainda esteja nesta luta.
Emanuel Rosa Repórter