
Não foi com surpresa que na noite de sexta-feira, num grupo em que se faziam para um fim-de-semana de torneio de cartas e convívio, quando alguém disse 'atenção no dia 25 de Maio há eleições', fossem mais de uma dezena os que perguntaram: 'eleições para o quê?”.
A pergunta revela o desconhecimento médio em relação ao próximo acto eleitoral, que para quem não sabe para eleger 21 deputados portugueses para o Parlamento Europeu, mas também revela a importância que este órgão da União Europeia tem para a esmagadora maioria dos cidadãos: zero.
Por muito que os eurodeputados se esforcem por mostrar trabalham – a maioria trabalha, mesmo – a importância do PE é quase nula. Não é uma assembleia de nações, não é um parlamento com capacidade legislativa decisiva. Por muito que discutam os eurodeputados, as decisões importantes serão, sempre, dos governos. E mesmo nesse caso há uns que são mais 'governos' do que outros.
Nestas eleições, por muito que custe reconhecer, o que está em jogo é, simplesmente, o direito de votar. De exercer um dever, de participar, de não envergonhar quem, há 40 anos, arriscou tudo por este direito.
Só por isso, porque Abril e já daqui a dias, já seria obrigatório votar.
As sondagens apontam para uma abstenção superior a 60%. O momento que o País e a Região vivem, obriga a outro nível de participação. Antes de votar para a Europa, é preciso votar para os portugueses.