O desaparecimento no passado dia 8 de Março de um avião da Malásia Airlines com 239 passageiros a bordo entre Kuala Lumpur, de onde tinha saído menos de uma hora antes de terem sido detectados nos radares os últimos sinais da sua presença, provocou uma comoção generalizada na região que perdura até ao presente momento quando fontes oficiais já admitiram que o Boeing da companhia malaia se terá precipitado no Oceano Indico. Na verdade, decorridas que são já cerca de três semanas sobre o desaparecimento sem notícias confirmadas nem vestígios evidentes da presença de um acidente, continua sem saber-se exactamente o que terá sucedido ao avião da Malásia Airlines. A probabilidade de um despenhamento no Oceano Índico afigura-se muito consistente, até porquanto tem ocorrido nos últimos dias o avistamento na zona onde se poderá ter verificado o sinistro de materiais que poderão constituir destroços do avião desaparecido. Contudo, evidências não existem e as famílias ainda não parecem dar-se por esclarecidas perante os elementos que lhe têm sido apresentados. Experts neste domínio não hesitam em adiantar que esta é uma situação que poderá levar tempo a ser esclarecida, eventualmente mesmo muito tempo, ou que até poderá nunca vir a ser esclarecida. E este é efectivamente um elemento perturbador. Na verdade, neste tempo em que vivemos em que os limites parecem ter sido eliminados custa a admitir e mais ainda a entender que um avião, para mais um avião de grande porte, possa ter desaparecido sem deixar rasto. Com efeito, com menos de uma hora de duração de voo o aparelho desapareceu dos radares para não mais voltar a aparecer. A primeira das explicações que surgiram para explicar tal facto é que os radares terão sido intencionalmente desligados a partir do interior do próprio avião, o que na circunstancia parece constituir a explicação mais plausível. A tal ter acontecido, todavia, a explicação permanece obscura. Porquê? Eis uma pergunta para a qual não se alcança resposta. As interrogações que neste domínio se suscitam e que vão muito para além destas duas ou três questões lineares que aqui se deixam alinhavadas não deixam de ser perturbadoras. Vive-se, com efeito, um tempo em que se diriam alcançados todos os limites. O conhecimento humano superou as mais ambiciosas expectativas, sendo nesse sentido que se poderá dizer que já não existem limites. E num ápice o desaparecimento de um simples avião ocasiona como que um atordoamento colectivo. Porque não obstante todos os sofisticados meios postos ao alcance e á disposição do homem, o mistério parece indecifrável e inexplicável. Conjecturas têm aparecido as mais elaboradas, algumas até com foros de verosimilhança, sem que, contudo, deixem de mostrar-se meras conjecturas. É longo o inventário dos acidentes aéreos que permanecem inexplicados muitos deles ocorridos na pré-história da aviação. Estamos, contudo, a falar de um mistério ocorrido neste tempo em que se julgava não haver já lugar para novos mistérios. Na verdade, a procura de uma resposta para as interrogações que esta questão deixa no ar não tem nada de mórbido. O que está em questão não é a curiosidade doentia de querer saber-se o que efectivamente se passou apenas por saber. É certo que o encontrar-se uma explicação para os factos em indagação não vai trazer de volta á vida os duzentos e trinta e nove passageiros da Malasya Airlines se é que efectivamente eles se encontram mortos como infelizmente tudo parece indicar. Esta deriva em busca daquilo que terá efectivamente acontecido tem que ver com a questão da confiança. Dizendo de outro modo: a navegação aérea, por muito que se argumente conforme é uso fazer-se que é o mais seguro dos meios de transporte por ser aquele em que percentualmente ocorre a menor taxa de acidentes, regista em todo o caso um numero não exactamente desprezível de vitimas. E constituindo hoje em dia um meio de transporte de utilização massiva, é compreensível que os seus utentes pretendam que lhes seja assegurada segurança. Sendo que neste domínio é sempre importante saber, quando alguma coisa corre mal, o que foi que correu mal. Isso permite aos utentes, ainda que a explicação para este facto posa não ser a mais plausível, abordar novas viagens com mais confiança depois de terem sabido o que foi que correu mal no voo da Malasya Airlines. Enquanto tal não acontecer o assunto não poderá ser dado por encerrado.
Carlos Sequeira