A primeira vez que o vi na Choupana foi no âmbito de uma visita de estudo escolar. Era novo, irrequieto, divertido, directo, reguila, interventivo e sem problemas em exprimir as suas ideias. Era uma criança que quase só falava do Nacional com a sua professora do Ensino Básico a mesma que lá ia insistindo para que ingressasse nas camadas jovens de futebol do clube não só pela prática de uma actividade desportiva mas também numa tentativa de modelar o seu feito, muitas vezes, incompreendido.
Muitos sacrifícios pessoais e familiares foram feitos. Muitos apoios públicos e privados foram recebidos pela escola de formação em que esteve inserido. Mas tudo isto em vão porque o mais perto que, hoje, tem devoltar a ser chamado à selecção nacional ou de estar na ribalta resume-se à fotografia colada na caderneta de Cromos do Nacional. A sua utilização enquanto jogador da equipa titular divide opiniões mas dar formação a um jovem durante anos para depois apenas lhe prender o destino não é ético. Não gosta? Põe na roda do prato, já dizia a minha avó.
Por falar em ética não podia deixar de demonstrar a minha indignação pela quantidade de camaleões que existem na Madeira. Não falo dos benfiquistas que foram à Choupana torcer pelo seu clube. Esses pagaram bilhete (assim espero) para assistir a uma boa partida de futebol e ainda viram o treinador, Manuel Machado, dizer-lhes, por gestos, que estão no primeiro lugar da tabela classificativa. A minha indignação é dirigida àqueles que sendo do Nacional vestiram outra camisola, gritaram pelo Benfica como nunca o fizeram pelo Nacional e nem bilhete pagaram, porque são sócios e a entrada é livre. Termos um clube ‘grande’ só faz de nós ‘pequenos’, porque algo só é grande se comparado a algo pequeno. Eu não me sinto pequena e tenho orgulho nisso. Mas termos a casa (e cofres) cheios para estarmos a jogar no Estádio da Luz da Madeira não é uma política que deveriam seguir. Não compensa a humilhação!
Andreia M. Nascimento