Sérgio Potier A depreciação em sentido geral, é uma expressão (por vezes com contornos patológicos) que é utilizada para qualificar pejorativamente alguém, ou porque se contesta a sua legitimidade para falar sobre determinado tema ou outro assunto qualquer. O depreciador pretende demonstrar que existe um desnível cultural, e de conhecimento, entre o não especialista e o especialista, vivendo este no âmbito estreito dos seus conhecimentos especializados, com todo o mérito, alguns dos quais, nunca se esforçaram para atingir outras abrangências ou conhecimentos.
Ter bases não é a mesma coisa que ter um conhecimento especializado. Ter bases, exige genericamente, um conjunto de conhecimentos (históricos, filosóficos, económicos...) mas, sobretudo, compreender as múltiplas dimensões dos diversos problemas científicos. Mas, para isso, é preciso gosto, estudo e leitura.
Por exemplo, para se ter conhecimentos de economia não é necessário ser um bom matemático. As disciplinas nucleares (segundo alguns economistas) à formação em economia são: a Filosofia, a História, e o Direito, não sendo menos verdade a necessidade de formação em matemática. Por isso, é que, alguns economistas têm aversão a modelos e equações matemáticas aplicadas à economia (como Keynes e Krugman) já que, colegas seus falharam na aplicação de modelos, porque estes se baseiam em comportamentos passados, e é muito dificil em economia prever acontecimentos futuros que se alteram muito rapidamente no tempo. Recordo a equação Black-Sscholes, uma equação perigosa que contribuiu para desencadear desde expansões e recessões no mercado, até à sucessão de crises financeiras e económicas, em que milhões de pessoas perderam os seus meios de subsistência, e mais recentemente o falhanço do modelo Kenneth Rogoff e Carmen Reinhart.
Os gurus e académicos da economia (como referiu um economista) sempre que os seus modelos analiticos e predições falham, fazem emergir novos modelos analíticos, mas sem terem conseguido ainda, elaborado uma teoria de desenvolvimento económico que seja operacionalmente útil e aplicável na generalidade. Mas há pessoas que ficam deslumbrados com os académicos e invocam-nos, depreciando outros.
Par terminar quero referir-me a dois assuntos: o candidato assumido à liderança do PSD/M que anunciou a sua candidatura no passado dia 20 deste mês, entre outras coisas, referiu-se à desorçamentação. É verdade, mas em finanças, estas foram sempre propensas a engenharias. Por exemplo, o governo da república fala em saldo primário orçamental, mas a verdade é que, há um défice orçamental que oculta o saldo primário, porque não estão contabilizados os juros. Portanto, há um défice orçamental a ocultar um saldo primário.
Quanto à questão ecológica a que me referi num artigo anterior, apenas quero dizer que, os ecologistas têm corrido perigo de vida em diversas partes do mundo.
François Mitterrand mandou colocar uma bomba na Greenpeace e culpabilizou o seu ministro da defesa.