Nem tudo são rosas na exposição mediática. Todos conhecemos diferentes protagonistas dos sectores mais diversos da nossa sociedade, com diversos tipos de adaptação à inevitabilidade da exposição mediática. Somos tentados a centrar-nos apenas no caso do desporto, em especial o futebol, mas há outras áreas com iguais dilemas, como a política, se bem que neste caso é maior a apetência para dar nas vistas do que fugir delas. Nem toda a gente nasceu com o dom da oratória, que umas vezes tanto realça virtudes, como esconde fragilidades. Na política, há de todos os géneros: gente bem falante e com poucas ideias, e pessoas com bons projectos, mas sem jeito para promovê-las. E também há os outros casos, que completam o ‘puzzle’: gente que expõe muito bem as suas boas ideias, ou indivíduos fracos que mal conseguem transmitir as suas também fracas iniciativas. Na política temos sempre a alternativa de não ouvir, ou ver, apesar das múltiplas estratégias que os políticos exploram para evidenciar os seus feitos. Mas quando se trata de algo que nos desperta a atenção, ou que simplesmente gostamos, como é o caso do futebol, a coisa já é muito diferente. Vejamos um caso flagrantíssimo: Jorge Jesus, treinador da equipa de futebol do Benfica. Está mais do que provado que este profissional do desporto, que já trabalhou na Madeira, ao serviço do C. F. União, está acima da média em matéria de conhecimentos futebolísticos (sabe escolher jogadores, consegue adaptá-los em funções diferentes, é inteligente a fazer substituições e outras coisas mais, dentro do campo de treinos ou de jogos). Fora das quatro linhas é um autêntico desastre: são tantos os episódios rocambolescos e as tiradas estonteantes, que o melhor é nem exemplificar. Põe-se a questão: um bom treinador tem obrigatoriamente que saber comunicar? No plano a que está uma grande equipa, como o Benfica, é evidente que sim. Sob pena dos lapsos e comunicações tortuosas estragarem tudo. Quando um treinador é ‘obrigado’, por força da importância do seu clube e das competições que disputa, a falar todas as semanas por 3 ou 4 vezes para grandes audiências – falando “ao país” mais vezes que o Primeiro-Ministro ou o Presidente da República, por exemplo – essa vertente tem de ser levada em conta, aquando da sua contratação. Um protagonista com esta mediatização não pode dar-se ao luxo de passar todo o tempo a dizer banalidades. Vista esta questão do ponto de vista meramente futebolístico, também se nota que os grandes treinadores – veja-se o expoente máximo a nível mundial, o português José Mourinho – começam a ‘jogar’ à quarta ou à quinta-feira, apesar dos seus jogadores só entrarem em campo no sábado ou no domingo. Mas isso é outra música, é apenas para quem sabe. O efeito contrário deste fenómeno pode acontecer assim: um mau comunicador, como é o caso do Jesus do Benfica, de tanto falar e de tanto ser visto e ouvido, acaba por convencer-se que é tão bom como os bons. Em vez de aperceber-se das suas gritantes lacunas, autoconvence-se que gostamos de ouvi-lo, dando ainda mais largas às suas, por vezes, idiotices. O pior é que, se a bola entrar, tem muita gente a aplaudi-lo por isso e pelas suas banalidades. Vai tudo junto!