Ainda esta semana, fomos informados que o Turismo tinha por objectivo manter os valores dedicados a promoção e eventos. Para ser preciso que “mesmo num contexto difícil, vamos manter os montantes gastos em promoção e eventos”. Em minha opinião, estamos mais uma vez a falhar. E estamos a falhar a vários níveis. Primeiro, porque não é “mesmo num contexto difícil”. A promoção deve ser vista como um investimento, como gastar algum para ganhar mais. Mas a promoção na Madeira não é vista como um investimento, porque para haver investimento tem de haver objectivos, e estes têm de ser definidos de forma clara: “vamos gastar x para garantir um aumento de y num segmento de mercado z”. Mas ninguém define objectivos desta forma porque é muito arriscado. Porque com objectivos assim definidos, todos os stakeholders teriam forma de avaliar o desempenho das entidades envolvidas. E nenhum responsável governamental na Madeira está disposto a ser apanhado a falhar. Logo, não se definem objectivos, não se definem prioridades, não se definem retornos esperados do investimento feito, e toda a gente continua feliz na terra do faz de conta. Os nossos concorrentes ou esfregam as mãos de contentes, ou estão enterrados na mesma inépcia. Segundo, e aceitando desde já que a Festa da Flor é uma excepção, ainda não vi uma ligação clara entre eventos e aumentos de procura. Ou, pelo menos, entre eventos e um aumento de rentabilidade global do destino. Suspeito que, em larga medida, os eventos são feitos para satisfazer uma necessidade interna de show off, uma componente fulcral do “panis et circensis” romano: não se atiram cristãos aos leões, mas atiram-se para as ruas da cidade umas jovens em trajos menores numa noite gélida de fevereiro, num ritual que tem tanto de madeirense como a espetada com a água Frize. [email protected]
Roberto Loja