Conceição Pereira Acabámos de celebrar o Dia Internacional da Mulher, invocando o dia 8 de Março, dia em que, em 1857, um grupo de costureiras de N. Yorque terão iniciado uma greve, reivindicando melhores condições de trabalho e que terminou da forma mais trágica. Várias organizações de mulheres e outras instituições celebraram este dia de luta com diversas realizações. Também houve festanças à volta do D. I. da Mulher, alguns “aproveitamentos” com demagogia à mistura, menús especiais... Enfim... E não nos esqueçamos daqueles que combateram a celebração do DIMulher e que, não podendo mais contrariar a corrente, encostam-se a ele para não perderem o controlo da situação. Mas vamos ao que interessa. Estamos no Séc. XXI e continuam as desigualdades, discriminações de género, violência doméstica e social e ainda existem muitas barreiras a derrubar para que o sexo feminino possa ombrear com o sexo masculino, como tem direito. Actualmente existe a lei da paridade que exige, pelo menos, 30% de mulheres nas listas concorrentes às eleições. Mas continua a contestação à lei da paridade, com o argumento de que as mulheres devem entrar para os lugares de eleição pela competência e capacidade e não por decreto. Isto é a maior ofensa que se pode fazer às mulheres, porque é o mesmo que dizer: SE AS MULHERES NÃO ESTÃO NO LUGAR DE PODER É PORQUE NÃO SÃO CAPAZES e isto não é verdade. As mulheres já provaram o que valem no trabalho, nos sindicatos, nas universidades, nas instituições sociais, etc. Mas vamos aos números: A Assembleia da República actual inclui 30,9% de mulheres, porque existe a lei da paridade, a A.L. dos Açores, 24,6% de mulheres e a A.L. Madeira 21,3%. Nas Regiões Autónomas nem sequer chega aos 30% exigidos por lei. Estas Assembleias seriam ainda menos representativas de mulheres se não existisse a lei da paridade. Para não falar da falta de representatividade feminina nas Autarquias Locais da nossa Região, pelo menos nos lugares de topo. No momento em que os Partidos estão a elaborar as listas para o PE, determinados partidos reclamam contra a lei da paridade, porque têm de colocar mulheres nas listas. Sem comentários. E a lei só exige 30% de mulheres nas listas, quando seria desejável 50% de representatividade feminina, mesmo que a lei não o exija. Para piorar a situação, vemos que muitas das mulheres que entram nas listas dos seus partidos por força da lei da paridade não estão nada preocupadas com a defesa dos direitos das mulheres, porque não sabem como fazer, porque não se interessam, porque o seu partido tem outros interesses a defender. A lei da paridade existe porque várias associações de mulheres e alguns partidos, como o Bloco de Esquerda se empenharam para que mais mulheres tenham acesso aos lugares de decisão política e aí defenderem, em primeiro lugar, os direitos das mulheres e a emancipação do sexo feminino. Por isso se exige às mulheres eleitas e a eleger que cumpram o seu papel e ajudem as que estão cá fora a continuar a senda de quebrar as barreiras que nos oprimem.