Seis graus de separação Não falo da peça “Six Degrees of Separation”, de John Guare, nem me refiro ao “Oráculo de Bacon”, jogo criado por Brett Tjaden. Falo da jigajoga dos poderes em que as pessoas se interligam e se enroscam de forma inexorável. Parece um labirinto a forma como a teia está montada e o indivíduo se densifica nela sem que perceba. Todavia, o poeta, subversivo em sua arte, começa a questionar-lhe o silêncio e o ruído, a luz e a sombra, a esquerda e a direita. Quem lhe daria, Teseu que era, o Fio de Ariadne para se escapar ao Minotauro? Quem lhe permitiria fugir aos seis graus da separação?
Artifícios de Shiva A inquietação que me interpela à pergunta tormentosa, é a mesma que me faz poeta. E insisto que o altar, de tão alto e distante, não me toca. A essência do Verbo, sobretudo aquele metaforizado, eis o que me sugestiona. Glória? Louros? Glória é poder ler-te os ínfimos de Manoel de Barros. Louros são estes descaminhos e suas vielas, alombado contigo. Presumo que, tão triste quão sideral, diria de ressonância impiedosa, este mundo se transfigura. Não fossem as tentações de Eros e Tanatos isto seria mesmo uma grande seca. Entrementes, estou cheio de dúvidas. Anda alguém por aí a tresandar certezas? Por isso, ando neste estado de poesia. O mais são artifícios de Shiva…
Le deluge “Não preciso do fim para chegar/Do lugar onde estou já fui embora”, assim falava Manoel de Barros. A vida, ela própria rio caudaloso e navegável, segue o seu curso. Diante do rio, tal como na vida, serenamo-nos. O ciclo das coisas chega a um momento estranho de rotação. Há que ver nisso tudo como normalidade. A incompletude como necessária normalidade. Mesmo que, no céu, as estrelas risquem a noite ao contrário. Jamais diria “Après moi, le déluge!”. Tudo continua, mesmo que já tenha ido embora...
Um santo Natal Quero desejar um Feliz Natal a todos. Um pensamento especial aos que, no infortúnio da erupção vulcânica na ilha do Fogo, continuam a merecer da solidariedade coletiva. Continuem a intenção e o gesto, com afetividade efetividade, a cuidados de não humilhar, nem instrumentalizar ninguém. Às vezes, é impiedoso o gesto quando sórdida a intenção. Outras vezes, anônima e/ou discretamente, é quando damos mais e doamos melhor. Uma reflexão natalícia!
Entretanto, na Madeira Que as Festas sejam felizes. Nestes novos tempos (em tudo), novas respostas. A começar…por Arts in!
Filinto Elísio