Em 2015, os cidadãos da Madeira e do Porto Santo terão uma escolha clara a fazer. Ou apostam na continuação do modelo de governação vigente, voltando a depositar confiança no PSD-M, ou apostam, em definitivo, numa alternativa de governo.

Não adianta traçar outros cenários. Os resultados das eleições internas do partido da maioria, que ontem deram a vitória ao Dr. Miguel Albuquerque - como poderiam ter dado ao Dr. Manuel António - foram importantes, sim, mas para os dirigentes e militantes do PSD-M, não para os Madeirenses e Portosantenses.

O problema da governação da Madeira não se cinge ao Dr. Alberto João Jardim. É uma questão de modelo e esse modelo é incorporado pelo PSD-M no seu todo, e não pelo dirigente “a”, pelo dirigente “b” ou pelo dirigente “c”.

Um modelo que inclui uma governação pouco rigorosa e pouco participada, com (muito) pouco respeito pelas decisões individuais dos cidadãos e pelo dinheiro dos contribuintes.

O modelo foi aprovado, reiteradamente, em todos os congressos do PSD-M e em todas as suas comissões políticas e conselhos regionais, órgãos dos quais todos os candidatos que se apresentaram para suceder ao Dr. Jardim fizeram ou fazem parte.

No caso do Dr. Albuquerque, dois anos não permitem esquecer um passado de concordância que durou 30 anos.

Em 2015, a escolha que se põe, volto a repetir, é entre a manutenção de um modelo que teve os seus méritos, é verdade, mas que teve imensos deméritos e que nos conduziu à situação atual, corporizado pelo PSD-M, ou a alternativa protagonizada pela oposição, nomeadamente pelo CDS-PP Madeira, que se compromete a governar com maior abertura e com mais rigor. Com maior capacidade para ouvir e integrar, e com (muito) mais bom-senso.

No próximo ano, não basta renovar. É fundamental dar corpo a uma alternativa. A situação social, económica e financeira da Região, que deriva da forma de governar corporizada pelo PSD-M, no seu todo, ao longo de 38 anos, exige coragem, determinação e capacidade para alterar o establishment , ou seja, a ordem das coisas.

A resolução dos imensos problemas com que estamos confrontados não se compadece com uma simples renovação, que na prática, deixará quase tudo na mesma. Como exemplo, deixo algumas questões práticas.

O Governo do PSD foi muito rápido a aumentar o IRS , o IRC , o IVA , os combustíveis, mas o que fez em relação às Parcerias Publico Privadas (Via Litoral e Via Expresso), que consomem 150 milhões por ano dos contribuintes?

O que fez em relação às Sociedades de Desenvolvimento que continuam a ser alimentadas pelo orçamento da RAM porque “estão no vermelho”?

O que fez para alterar o exótico modelo de operação portuária, que não serve o interesse da Região?

Como quer resolver a situação financeira de uma Região em que todos os impostos pagos em IRS e IRS servem apenas para pagar dívida e juros?

Que interesses está a proteger?

Estes exemplos, como muitos outros, exigem respostas claras, respostas essas não poderão vir de quem, durante décadas, nunca levantou perguntas. Nem estas, que aqui coloco como exemplo, nem tantas, tantas outras...

Estou convicto de que na sua imensa sabedoria, os cidadãos da Madeira e do Porto Santo saberão distribuir os ovos pelos cestos certos.

Termino com votos de um bom ano de 2015 para todos os Madeirenses e Portosantenses, desejando-lhes a concretização dos seus objetivos pessoais, familiares e profissionais, e lembrando que, se todos fizermos cada vez mais para sermos cada vez melhores, a nossa comunidade será certamente melhor.

Rui Barreto