
Independentemente do que acontecer amanhã, nas eleições internas do PSD-Madeira, é certo que quem ganhar tem, desde logo, uma tarefa complicada: colar os cacos da destruição que Alberto João Jardim provocou, nos últimos anos, na família ‘laranja’. Conseguiu, em muito pouco tempo, transformar um partido inchado pela arrogância de dezenas de vitórias e dominador do palco político, num grupo dividido, com rótulos de bons (os dele) e maus (a maioria que o contesta) e traumatizado por uma derrota humilhante nas autárquicas.
Um partido que parece estar inclinado para eleger Miguel Albuquerque – foi esse o sentido de voto da primeira volta e confirmado pelos apoios dos últimos dias - e dar a machadada final em quem, fruto de um autismo político profundo, não soube parar, ouvir e ler os tempos. Não ouviu ninguém e ameaça levar na queda quem também não soube demarcar-se de um caminho que era, claramente, errado.
Quem, na terça-feira, tiver de assumir a presidência do PSD-M, além de ter de começar a preparar umas eleições regionais em que a probabilidade de insucesso é grande, terá de unir o que parece difícil de conciliar. Um partido em que uma parte é pró-Jardim e a outra nem o quer ver no Natal, não parece vocacionado para a unidade. A única vantagem é que, do outro lado, o da oposição, também não é fácil aproximar interesses. Nem entre os partidos, nem dentro deles.