A cada vez mais baixa taxa de natalidade aliada ao envelhecimento e diminuição da população lusa fará de nós não apenas um pais mais velho mas inviável no que à Segurança Social diz respeito.

Existem inúmeros estudos e projeções – uns mais catastróficos do que outros - sobre qual será o retrato da população portuguesa dentro de alguns anos e o futuro é sempre desanimador: “Cerca de 80% da população portuguesa será dependente e envelhecida no ano 2050. Uma tendência que acompanha a quebra da taxa de natalidade que tem vindo a diminuir desde 1990. Dentro de 15 anos vai haver uma quebra da população mais jovem e em 2030 cerca de 60% do total dos portugueses vão ter mais de 40 anos de idade”. Esta previsão da especialista britânica em envelhecimento da população, Sarah Harper, é acompanhada por diversas previsões de crescimento assentes na evolução e tendência registadas nos últimos anos.

Segundo o Eurostat, Portugal registou no ano passado a taxa de natalidade mais baixa da União Europeia, de 7,9 crianças por mil habitantes, inferior à de mortalidade (10,2), contrariando o aumento da população na Europa.

Aqui chegados colocam-se dois problemas que estão em crescendo; com menos população jovem e empregada que contribua para um qualquer sistema de segurança social, público ou privado, menos capacidade teremos também de financiar um sistema que deve distribuir, em reformas e pensões, quantias dignas para quem nessa altura da vida necessita de um apoio com base na contribuição que deu durante toda a sua vida ativa.

A forma como um país trata e cuida dos seus mais velhos concidadãos diz muito não apenas sobre as condições de vida materiais, mas especialmente da sua organização e cultura de verdadeira solidariedade e entreajuda. E neste campo Portugal deixa, de facto, muito a desejar. No fecho de 2014 elejo este com um dos mais graves problemas com o que o país real – não o que muitas vezes passa nas televisões – está confrontado.

Luís Sena-Lino