Todos os momentos são bons para refletir, mas esse estado de espírito para pensar o passado e projetar um futuro adaptado carece de uma pré-disposição própria e de uma conjuntura calma por um lado, garantindo a lucidez necessária, e por outro, preocupação pela necessária ansiedade de quem quer conquistar o futuro. Será o Natal um “bom tempo”?

As constantes mudanças e abalos na área económica e financeira, colocou em discussão vários fatores da gestão. No entanto não é errado afirmar que a gestão tem sido uma área de desenvolvimento constante, com ruturas e evolutiva.

A evolução da gestão empresarial conduziu a novas perspectivas e diferentes condutas para fazer face e adaptar-se ao mercado em constante mudança e com renovadas exigências.

A gestão conheceu novos desenvolvimentos e os fatores como liderança, motivação, espírito de equipa e comunicação, que passaram a ser instrumentos de eleição na gestão empresarial, mesmo que, com diversos tipos de valoração cada um desses fatores.

Na verdade a ênfase nos controlos operacionais, o estabelecimento de parcerias e compromissos, a focagem na funções e nos procedimentos, em que o cliente assume o papel fundamental, aferindo-se nas atividades e nos meios, o traduzir dos resultados e a consecução dos objetivos.

Claro que a natureza da atividade é fundamental para enquadrar toda esta filosofia e prática dos fatores de gestão, mas ela é suportada por bases, pilares comuns. Assiste-se à necessidade de aplanar as estruturas empresariais e diretivas, promovendo pouca “inclinação” hierárquica, valorizando-se as pessoas, e permitindo a agilidade, flexibilidade dinamismo e pro-atividade aos processos de gestão empresarial.

Na gestão desportiva e no que concerne à actividade do desporto profissional, falar das emoções é falar na atividade desportiva e na procura de clientes onde os sentimentos e a emoção podem ser decisivos para a sua viabilidade, não esquecendo que o sucesso pode estar também próximo dos resultados desportivos. A novidade ou a mudança se quiserem, é jamais se tornar a afirmar, por exemplo, que o futebol é emoções e como tal a gestão também tem de ser emocional. A natureza do “negócio” não pode ser confundida com os desígnios da gestão.

Mas se o desporto for amador, ou mesmo de uma atividade de cariz social, então a natureza do “negócio”, os respetivos objetivos serão outros, e como tal a gestão apesar de ter os mesmos pilares, não deverá usar argumentos que são de uma atividade onde o espetáculo desportivo é essencial. Então como se adaptar a estes ventos de mudança?

O primeiro pressuposto é entender que a gestão deverá ser profissional, e ser praticada com competência, pois o amadorismo vai penalizar as instituições na sua essência, na sua prática e provavelmente, pôr em causa a sua própria sobrevivência.

A todos os níveis, e sem exceção todos os organismos terão de alterar e modificar a gestão e respetivos procedimentos, pois não há tempo para hesitar, já que “lá fora” tudo já mudou.

Os clubes, saberem definir exatamente as suas funções e objetivos, e face a isso, adequar as suas atividades de acordo com os seus papéis. As suas sedes já não são os lugares de convívio à volta da mesa do jogo de cartas, nem o local que tinha o aparelho de TV. As associações de clubes ou de modalidade, não são meros depositários da planificação dos calendários desportivos, pois prioritariamente, terão de zelar pelo desenvolvimento da respetiva modalidade. As direções regionais devem assegurar o cumprimento das políticas regionais emanadas pelo respetivo governo, e zelarem pelo planeamento e execução dessas políticas de desenvolvimento definindo prioridades e construindo um plano estratégico para o desporto.

Os planos estratégicos do desporto deverão ser partilhados por todas as instituições, para garantirem coerência e eficiência na sua execução, e responsabilidade fruto da sua participação.

Afirmei numa atividade de “Team Bulding” numa instituição bancária à entrada deste século - “A organização de sucesso do novo milénio, será aquela que conseguir fazer com que o seu pessoal trabalhe em equipa”.

A gestão do futuro vai ter de ser mesmo a seleção da informação adequada aos contextos e respondendo aos desígnios para a qual foi devidamente enquadrada.

Este tempo de abrandamento e alguma pasmaceira poderá ser propício a encontrarmos a calma necessária à reflexão, e o afrontar do novo ano, a perturbação imprescindível à mudança da conceção e prática da gestão desportiva e do fenómeno valorizando a componente técnica e colocando-a como um parceiro no novo modelo de gestão. Falta só a coragem ... para o início!

Rui Mâncio Caires