Estamos na última semana de 2014 e o derby Nacional vs Marítimo, na Choupana, ainda mexe, alimenta discussões e serve de inspiração para presentes de Natal jocosos e criativos.
Há muitos anos recebi, de um conhecido, um álbum discográfico que reunia, num único trabalho, os maiores sucessos da música portuguesa de então. Estranhei o facto de passarmos o ano a ‘brigar’ por motivos clubísticos e, chegando ao Natal, lembrar-se de mim presenteando-me com uma singela oferta. Estranhei e fiz bem… o presente vinha ‘envenenado’.
No interior da embalagem lacrada não vinha, todavia, o êxito de vendas da época mas, sim, um álbum discográfico do clube rival onde ensinavam, incessantemente, a soletrar o nome do clube (algo que deviam ter aprendido na altura para não cometerem erros na divisão silábica utilizada nas novas bancadas). Mais pelo gesto do que pela sua qualidade ainda hoje guardo esse presente.
Os derbys aquecem discussões, invadem murais do Facebook, inspiram mensagens de telemóvel – o Bernardo Faria que o diga – alimentam prognósticos e apostas e fazem surgir uma vontade gigantesca de vingança e de ajuste de contas. “Agora, sim, vão ver qual será a resposta ao pesado 3-0 sofrido na Choupana”, dizem uns.
“A mudança do palco de jogo não terá influência e o resultado será para repetir, numa casa que afinal é nossa!”, dizem outros.
Seja como for, este novo encontro alimentará os últimos dias do ano. Dos dois lados muitos argumentos surgirão, pelo menos até uma das equipas da Madeira – duas em oito – ser eliminada da Taça de Portugal.
Conheço muitos capazes de incluir, com enorme fulgor e devoção, a sua equipa e o resultado deste jogo em, pelo menos, um dos doze desejos de Ano Novo. Feliz 2015!
Andreia Nascimento