O presidente da Comissão Europeia desvendou recentemente os detalhes de um presente de Natal que tem para todos os Europeus. Este presente é um plano de estímulo ao investimento no valor de 315.000 milhões de euros para os próximos 3 anos e que à primeira vista parece significar um distanciamento efetivo da politica de disciplina fiscal advogada até agora. A primeira vez que Juncker falou nesta oferta aos europeus, empenhou-se em dizer que o seu plano pretende centrar o relançamento da economia europeia na ótica do investimento, crescimento e criação de postos de trabalho. Mas agora que já começou a desvendar alguns detalhes sobre a forma com que vai aplicar o seu plano de estímulo, a ideia já não parece ser tão boa. No fundo parece que nos deparamos uma daquelas campanhas de marketing que à primeira vista nos parece muito boa, mas depois quando vamos analisar melhor, já não nos parece ser assim tão boa. Se tivermos em conta que o investimento caiu em média 20% na União Europeia desde o inicio da crise financeira, o objetivo de Juncker em fomentar o investimento até está acertado. Relançar a economia com base no investimento é realmente o que necessitamos, uma vez que é justamente a falta de investimentos que justificam parte da debilidade na recuperação da economia europeia. O presente de Junker representa uma mudança no uso dos fundos estruturais, pois estes serão direcionados para o Banco Europeu de Investimento (BEI), que por sua vez terá a responsabilidade de analisar e apoiar os projetos. Mas é aqui que está um dos problemas deste plano. O próprio autor do plano já admitiu que serão necessárias mudanças regulatórias para que o BEI consiga aprovar projetos capazes de gerar emprego e que sejam dinamizadores para as economias locais, sem que estes tenham efeitos no défice. Mas infelizmente, como todos sabemos, estas alterações vão sofrer forte oposição da chanceler Merkel e provavelmente acabarão por ser chumbadas, uma vez que ela normalmente discorda de todas as mudanças que impliquem um distanciamento das regras atuais. O outro problema, e talvez o mais importante, é que os 315.000 milhões de euros anunciados não são 315.000 milhões de euros de "dinheiro fresco". A ideia de Juncker é dar, em forma de garantia, 21.000 milhões de euros ao BEI, e esperar que hajam investidores privados que pretendam entrar em projetos que totalizem os 315.000 milhões de euros. Mesmo assim, se formos otimistas e acreditarmos no poder de alavancagem do plano, os efeitos reais são mínimos, pois segundo o Fundo Monetário Internacional, um aumento de 1% no investimento só incrementa a produção em 0,4% no primeiro ano e 1,5% no quarto ano, pelo que na melhor das hipóteses os efeitos deste plano só se começarão a notar a partir de 2016. Em resumo, este presente que foi criado para ser um marco e representar uma mudança significativa na trajetória da economia europeia, acabará unicamente por ser uma tímida tentativa para dar à Europa o que ela realmente necessitava.

Luís Pedro Branco, Gestor Financeiro