José R. T. Manuel Silva Foi anunciado uma greve na hotelaria para os próximos dias 30, 31 e 1. O que está em causa é a iminência da perda de direitos conquistados ao longo dos anos e que agora as Entidades Patronais (ACIF) ameaçam retirar. Estamos a falar de direitos como os 2 dias de folga, as 8 horas de trabalho, os dias de férias, as diuturnidades, os prémios de línguas, subsídio de alimentação, subsídio nocturno, aumentos salariais, compensações em dias de feriados e folgas e outros direitos que até hoje julgávamos como naturais e garantidos. Para além da retirada de todos os direitos, querem impor deveres absurdos e desumanos como trabalhar desde 12 horas por dia (Banco de Horas), deslocação de trabalhadores sem o seu consentimento, polivalência discutível, etc etc etc... Chegou a altura de a malta se juntar e se impor contra estas pessoas que usam e abusam da boa vontade dos trabalhadores. Nestes últimos dois anos foram recordes atrás de recordes no Turismo e na Hotelaria e como é que "compensam" os trabalhadores? Com ameaças, cortes, mais horas ou dias de trabalho sem retribuição, aumentos salariais ZERO. É do conhecimento geral que há casos bem mais drásticos em que nem salários se pagam como deve ser mesmo quando o negócio "está a dar". Aos tempos que chegámos...Onde se esconde o respeito e a dignidade? Isto não é fantasia de comunistas (coisa que o nosso Presidente do Governo disse ser) nem é conversa de sindicalistas. Isto é o que pode vir a acontecer a todos os trabalhadores da Hotelaria (empregados de limpeza, de mesa, bagageiros manutenção, copeiro, cozinheiros, recepcionistas, porteiros, governantes, etc) nos próximos tempos se nada for feito. Recomendo que se informem devidamente da situação pois tudo isto está por escrito. Não é só de boca. Para quem critica a escolha das datas, deixo uma pequena observação: se durante todo o ano não têm consideração por quem trabalha, porque é que haveríamos de ser nós a ter consideração agora? Aliás, alguém já viu algum Patrão ou a ACIF disponível para se pronunciar sobre o assunto ou a apelar ao diálogo? Conheço casos em que os trabalhadores já foram abordados por superiores a fim de desincentivar a greve. Para além das habituais ameaças, dizem que "essa historia dos direitos não vai acontecer aqui e que é só nos outros sítios". Acham mesmo que sim? Seja qual for a decisão de cada um quanto ao que fazer face à situação, tenham em mente uma coisa: Chorar depois de nada vai valer.

Um Bom Natal a todos