Rui José Ribeiro da Costa No séc. XIX, os governantes de um país sul-americano quiseram fazer uma estátua ao libertador das Américas, Simão Bolivar. Este, que na altura era ainda vivo, recusou tal homenagem dizendo que não se homenageiam com estátuas homens vivos, para não se correr o risco destes poderem vir a trair quem lhes presta homenagem. Ou seja o que Simão Bolivar disse foi: “Se me querem fazer uma estátua, esperem pela minha morte”. Não é este contudo o espírito do Cristiano Ronaldo, como ficamos a saber este último domingo, dia 21 de dezembro, a propósito da estátua que o Governo Regional da Madeira, lhe mandou fazer. “ Se me querem fazer homenagens façam-mas em vida,” disse ele com estas ou outras palavras. É a sua maneira de pensar e o Cristiano tem o direito de pensar como quiser. Mas esta sua maneira de pensar só traduz o seu egocentrismo, vaidade, vacuidade, e é uma atitude digna de alguém que gosta de contemplar o seu umbigo, provavelmente por o achar muito bonito. Cristiano Ronaldo pode ser um futebolista de topo, mas o seu discurso apenas traduziu o quanto ele é narcisista, fútil, mesquinho, para não dizer parolo. Há de facto coisas que o dinheiro não compra. Ouvindo também o discurso que o Presidente do Governo Regional da Madeira pronunciou aquando da inauguração da estátua percebo agora a razão porque o madeirense Cristiano Ronaldo tem apoiado publicamente as sucessivas reeleições do Dr. Alberto João Jardim. “Eu apoio-te a ti, ó Alberto João, e tu fazes-me uma estátua em vida”, deve ter dito Cristiano Ronaldo. E assim foi feito. Antero de Quental referindo-se aos literatos do seu tempo que teciam rasgados elogios ao António Feliciano de Castilho, e eram apadrinhados por este, chamava-lhes a “escola do elogio mútuo”. Melhor termo não poderia haver para designar esta relação Cristiano- Jardim.