O ano de 2014, que agora se aproxima do final, revelou-se um ano de desafios acrescidos, que exigiram arte, engenho e resiliência aos agentes promotores da prática desportiva dita amadora, uma vez que, e no caso da Vela, foi exigido navegarmos em bolina cerrada, contra ventos e marés, exemplificados na indisponibilidade em tempo útil dos apoios financeiros à modalidade, e no acesso a infra estruturas de mar, em linha com as legítimas necessidades da prática das modalidades náuticas. No que diz respeito aos apoios financeiros, proporcionados ao abrigo do Programa Regional de Apoio ao Desporto, e pese embora o enorme esforço da parte da equipa da Direcção Regional de Juventude e Desporto, que legitimamente faço aqui referência, em reduzir a decalagem entre a atribuição dos apoios e a efectiva disponibilização, o facto é que as referidas verbas da época de 2013/2014 foram tornadas disponíveis apenas em Dezembro de 2014, dois meses após a conclusão da época a que diziam respeito. Este diferimento, representou um desafio hercúleo, para todos quantos dependem quase em exclusivo destas verbas, por não terem disponíveis fontes alternativas de financiamento, tornando por isso, ainda mais difícil a gestão das colectividades, e impedindo que se potencie como desejado, o efeito dessas verbas na multiplicação da promoção das modalidades. Este facto produz o efeito de liquidar compromissos, ao invés de os promover, face à imprevisibilidade do recebimento das referidas verbas. Este facto, impede que se saia do imediatismo e da reacção, e se passe para a programação e a estratégia, deixando poucas alternativas para a sobrevivência destas entidades, pois retrai a aposta a longo prazo, na formação de novos talentos, e na construção de uma maior representatividade da modalidade, cujo efeito apenas se medirá num futuro mais distante. É por isso um facto que importa inverter, reduzindo ou mesmo anulando a decalagem entre a atribuição e a efectiva disponibilização, por forma a assim se poder maximizar o efeito da aposta pública nas modalidades ditas amadoras.

No que diz respeito a São Lázaro: fruto da intervenção promovida através da Lei de Meios, o espaço de São Lázaro ganhou nova vida, libertando-se de longos meses de estaleiro, que condicionou de forma transversal a actividade dos Clubes e Associações Náuticas, mas que neste momento proporciona uma oportunidade única para se conceder uma nova dinâmica às modalidades náuticas que são praticadas naquele espaço, bem como de “arrumar” os diversos espaços, por forma a podermos dotar a Região de uma infra-estrutura adequada para as modalidades desportivas náuticas, bem como de assegurar acesso ao mar, à pequena náutica de recreio, assegurando igualmente condições de segurança para promover a formação de novos valores, e de assegurar os devidos requisitos para que, quem pretenda promover eventos náuticos, os possa promover contando com infra estruturas condignas. Ao contrário do que possa parecer ao comum dos mortais, a escala do espaço de São Lázaro, é adequada e necessária à prossecução da prática das actividades náuticas, devemos por isso compreender que os amplos espaços têm que existir, amplos e disponíveis, para que os possamos utilizar sempre que a necessidade ou a ocasião o exigir, tal como acontece a um estádio ou a um pavilhão, vazios durante grande parte da semana, mas preparados para albergar ao fim de semana ou quando necessário, a prática para os quais estão destinados, albergando equipamentos, atletas e espectadores. Dito isto, e aproveitando esta ocasião de pré Festa, endereço os votos de um Feliz Natal e um novo ano de 2015, cheio de sucessos, também desportivos e bons ventos.

Sérgio Jesus