João Miguel timato! E o que aconteceu? Nada ou quase isso. Colocaram um fiozito de luzes no cais, cresceram uns galhos vermelhos em algumas arvores, (coitadas das outras), na sé nem os anjinhos ou as trombetas voltaram, há um vazio entre o largo do chafariz e a rua Fernão de Ornelas, o “disco voador” do largo da Cruz Vermelha não levantou voo e, o material teima em não chegar pois às ruas dos Ferreiros, João Tavira, Sé, Alfandega, Murças, das Queimadas e do Bispo, para não falar do largo do Colégio, ainda aguardam nem seja por luz, a Rua Fernão de Ornelas continua paupérrima para não falar do cais da cidade, que continua com aquela “gangorra” é a imagem que me ocorre quando desço a Avª Zarco e me deparo com aquele corredor que mais parece um beco, torto, despido de qualquer cor adereço ou vida. As nossas iluminações carecem de imaginação ou criatividade, de integração na época em que se inserem, ou seja há um grande erro de concepção. Quando estamos felizes alegres ou em festa e antropologicamente falando, nós erguemo-nos, abrimos ou levantamos os braços, brindamos com copos lá em cima, olhamos o céu, isto para dizer que as nossas iluminações em vez de estarem no chão, ou caídas, deveriam erguer-se, ou não fosse o divino o espiritual símbolo disso mesmo, elevação. Depois, está sem cor, e esteticamente pobre. Na rua Fernão de Ornelas, continuaram aquelas faixas de plástico com as luzinhas da mesma cor por detrás, o vermelho. Bastava simplesmente que o rectângulo fosse branco para contrastar com o vermelho ou vice versa, e seria diferente mas nem isso! Se se colocasse duas faixas de luzinhas brancas em cada tronco, podem crer que aquela rua ganhava luz, cor e integrava-se no espirito da festa. O nosso Natal, ou melhor a nossa cidade deve ser das únicas sem uma árvore alusiva, quando em anos recentes já tivemos três, mas mais grave é não existe uma única imagem que evoque um adereço natalício e já agora para contribuir aqui vão alguns: presépios ou as suas figuras, renas, o trenó e o pai natal, bolas e botas de natal, anjos, estrelas, pinheiros, flocos e bonecos de neve, presentes. Regionalmente existem adereços, e tradições que deveriam fazer parte da decoração: Azevinho, cabrinhas, ensaião, manhas de páscoa e sapatinhos, searinhas, as lapinhas, o presépio de escadinha, licores vários, broas e o bolo de mel, e o de família, a matança do porco e a carne de vinho e alhos, o galo velho, a missa do parto. Agora é só mesmo dar aso á imaginação e ao design. Uma sugestão, façam uma visita ao madeira shopping, e vejam, o ambiente de Natal que sentimos, quando algumas figuras ou adereços natalícios envolvidos ou iluminados por simples cortinas de luzes. E o cor-de-rosa como mote para este natal? Nem a sumaúma esperaria tamanha dignidade. Reconheço que existe alguma Gestalt, ou seja dá na vista, quando as cores predominantes do Natal são o branco, prateado, o verde, o vermelho o dourado. É que o turismo constitui a nossa principal fonte de receita. Constitui uma indústria complexa, que exige sobretudo de quem tutela, estratégia, mas também cientificidade, e conhecimento técnico pois é preciso estudar mercados para depois adaptarmos a nossa oferta às exigências ou necessidades do mercado, de acções concretas, pois e necessário trabalhar muito bem o produto, que é só a nossa marca Madeira, que de certeza já não se compadece com motes de caracter subjectivo, nem com Brainstormings, ou ideias surgidas a meio de um chá ou de um lanche. Uma coisa é certa; o trabalho encomendado pela secretaria do Turismo e Cultura, ou pela secretária que a tutela, bem como o autor do mesmo, tem uma enorme visibilidade, ou seja são facilmente identificados e pelas razões expostas. Por isso termino com uma sugestão: Há dias li um artigo interessante na Executive Digest sobre “reputação, como contruí-la e mais importante, mantê-la”, que o devem ler urgentemente. Ah! Para o próximo ano, minto daqui a dois anos, vou candidatar-me a imaginar e desenhar as nossas iluminações é que 100.000 ainda é dinheiro.