Podia ser uma carta ao Pai Natal, dada a época em que estamos, mas não é. É uma carta a quem exerce cargos políticos, não excluindo ninguém, sejam aqueles que têm poder executivo ou, os que não o tendo, foram eleitos pelos cidadãos. Quando aceitei entrar para a vida política, sem saber se ganharia eleições, fi-lo com o sentido de missão de serviço público e com a convicção de dar o meu contributo cívico na resolução de problemas que criticava, aceitando o lugar que o povo considerasse que seria o meu. Um assumir de compromisso, independentemente do resultado eleitoral, mas sempre com o mesmo sentido de responsabilidade. Há que pôr em prática na vida pública os valores básicos da responsabilidade política. Na minha opinião, tal não se verificou com a não aprovação das Grandes Opções do Plano pela Assembleia Municipal do Funchal, com os votos contra do PSD, PND e CDU, depois de já ter sido aprovado o Orçamento para 2015. É uma situação inédita a nível nacional, em que temos uma autarquia com um Orçamento aprovado mas sem o Plano em que se baseou esse Orçamento. E que projetos/ações estavam previstas neste Plano? Dou alguns exemplos: Loja do Munícipe; Beneficiação do Edifício do Antigo Matadouro; Aquisição de equipamentos para os Bombeiros Municipais; Manutenção dos Bairros Sociais; Revisão do PDM; Programa de Revitalização do Comércio do Funchal; Programa Cidade Com Vida (Área de Reabilitação Urbana); Projeto de recuperação da ETAR do Funchal; Remodelação do Canil Municipal; Remodelação das Piscinas do Lido; Grande reparação do Caminho do Poço Barral; Requalificação do Mercado da Penteada; Orçamento Participativo. Os partidos da oposição que votaram contra não podem simplesmente votar contra e sacudir a água do capote, nomeadamente o PSD, que não apresentou nenhuma proposta de alteração. A hemorragia interna porque passam não justifica tudo. Muito menos argumentar que houve falta de abertura e diálogo, logo por parte daqueles que durante anos de poder cultivaram a arrogância e a prepotência chumbando tudo o que vinha da oposição. Além do mais, esse diálogo e abertura verificou-se com os que quiseram, particularmente o CDS, com quem se negociou e de quem se aceitou propostas. Não saíram também bem na fotografia o PND e a CDU nesta aliança com o PSD de bloqueio à governação do Município do Funchal. A nossa Cidade tem problemas cuja dimensão é muito maior que a pequenez das tricas partidárias. Não deve haver para tudo consensos, mas há algo que tem de existir: a convergência em não prejudicar as pessoas que nos elegeram, muito menos sem fundamento ou apresentação de propostas alternativas. Quando assim é, só podemos concluir que tudo não passa de ações de destruição, de luta de poder pelo poder, de defesa de interesses pessoais ou de vinganças mesquinhas. É necessário acabar com a lógica do máximo benefício individual e recuperar a lógica do máximo benefício coletivo. Os problemas não se solucionam por meio de opções individuais. Os partidos da oposição têm que assumir responsabilidades. Sem uma política de responsabilidade ficamos sem futuro. Quanto a nós, Mudança, não deixaremos de continuar a trabalhar com toda a determinação para superar as dificuldades e levar a cabo os nossos compromissos eleitorais com os funchalenses, de acordo com a estratégia delineada e assente em três eixos: investimento e apoio social, desenvolvimento económico e criação de oportunidades, democracia participativa e boa gestão pública. Acharemos as soluções e romperemos os bloqueios que nos querem impor. Como afirmou Dilma Rousseff, “É preciso ter grandes sonhos e persegui-los. Sonhar e perseguir sonhos é exatamente romper o limite do possível”.
Paulo Cafôfo