Muito se falou este ano sobre o envelhecimento da sociedade portuguesa e dos problemas que podem advir deste envelhecimento entre os quais o da sustentabilidade da segurança social. Foram apresentados números que mostram que o rácio de idosos para jovens tem aumentado muito, tendo passado de menos de 28 idosos com 65 ou mais anos por 100 jovens com menos de 15 anos em 1961 para mais de 130 idosos por 100 jovens em 2013. Ao mesmo tempo, os idosos de hoje têm uma idade mais avançada pois em 1961 havia 33,6 idosos com 75 ou mais anos por 100 idosos com 65 ou mais anos enquanto em 2013 esse valor era de 48,9. Este aumento de longevidade tem associado um aumento de doenças degenerativas o que leva a que ao aumento da esperança de vida não tenha correspondido um igual aumento da esperança de vida saudável. Um número que tem sido menos divulgado é o chamado índice de dependência total ou seja o número de jovens até aos 15 anos ou idosos com 65 ou mais anos de idade por 100 indivíduos com 15 aos 64 anos que em 1961 era de 59 e em 2013 era de 52,2 pois o aumento do índice de dependência dos idosos foi mais do que compensado com a diminuição do índice de dependência dos jovens. Assim o esforço sobre a população ativa não é hoje maior do que nos anos 60 ou 70 do século passado. Perante estes números a praxis do governo tem sido no sentido de manter os indivíduos mais tempo no mercado de trabalho aumentando a idade da reforma, penalizando quem decide se reformar antes dessa idade (ou mesmo proibindo essa decisão) e reduzindo drasticamente o montante das pensões e reformas. Estas medidas não resolvem o problema da sustentabilidade no longo prazo, somente empurram para legislaturas futuras o problema cada vez mais acrescido. A meu ver este problema só se resolve quando conseguirmos aumentar significativamente a produtividade da população ativa, em particular através dos mais jovens. Mas esses aumentos de produtividade não têm sido concretizados devido à emigração dos jovens mais qualificados que ajuda a resolver o problema dos países de acolhimento e não do nosso que investiu na formação desses jovens. Não é, pois, atacando o direito à velhice descansada que vamos no bom caminho, por isso aqui ficam os meus votos para que em 2015 enveredemos por outros caminhos. Boas Festas!

Pedro Telhado Pereira Professor Catedrático da Universidade da Madeira