As tangerinas são fruta típica do Natal, as laranjas menos, mas este ano as coisas inverteram-se a favor do citrino maior. Este Natal é laranja e não há volta a dar. Para o bem e para o mal. Na sexta-feira o PSD-Madeira foi a votos e decidiu que a quadra natalícia que está a começar será de mais campanha, alguma (pouca) incerteza quanto ao futuro do partido mas, sem margem para dúvidas, um Natal marcado pelas eleições internas que têm segunda volta marcada para o dia 29. Uma data ridícula, aprovada de forma insana por um grupo que ainda se auto-proclama conselho regional. E o PSD foi a votos e foi claro: a maioria (mais do que absoluta) quer mudar. Albuquerque mostrou que é o preferido – dentro e fora do partido - e ficou a escassos votos de uma maioria absoluta, mas na soma de votos, são claramente maioritários os candidatos que entraram em choque com a actual direcção e com o governo. Além dos candidatos que ficaram pelo caminho, foi evidente que o maior derrotado, mais uma vez, foi o ainda líder a quem o partido apresentou um óbvio cartão vermelho. O PSD-Madeira já não quer saber de Jardim, reconhece que o líder de dezenas de vitórias passou a ser um activo tóxico e até faz por ignorá-lo. Na noite de sexta-feira ficou claro que o seu tempo, pelo menos neste partido, acabou. Um fim triste para quem, se não fosse teimoso e de uma elasticidade mental nula, poderia ter saído por uma porta grande e dourada e ser, hoje, um D. Sebastião por quem muitos suspiravam. Não foi assim e agora já não há remédio. Manuel António passa à segunda volta, com Albuquerque e, numa análise imparcial, parece justo. Fez uma campanha equilibrada, falando de futuro, mas não renegando um passado de que fez parte. Só não conseguiu distanciar-se do tal activo tóxico. As lealdades são louváveis, mas quando limitam a capacidade de criticar o que é criticável, têm um preço. Independentemente do que acontecer no dia 29, com a vitória de Miguel Albuquerque a ter uma probabilidade muito elevada e, também numa análise imparcial, a ser mais do que justa, há algumas certezas: a Madeira vai a votos em Março/Abril do próximo, como querem os dois candidatos e Jardim sai depois do Fogo. E há mais uma: nada será como dantes. Felizmente.