A Assembleia Legislativa Regional aprovou o seu orçamento para 2015. Quinze milhões só para 2015. Não fosse ter existido a imposição de um teto máximo, esta conta contaria com mais 700 mil euros. Inadmissível para uma ilha que passa as privações que todos conhecemos por força de uma dívida que poucos de nós, madeirenses, contribuímos para fazer. As três Câmaras da Costa Norte têm praticamente o mesmo orçamento. Seis milhões e quatrocentos para São vicente, seis milhões para Santana, e cerca de quatro milhões para o Porto Moniz. É só fazer as contas. Isto para dizer que o exemplo devia vir de cima. Todos reduzem o orçamento, mas a Assembleia mantém o seu orçamento, a promoção das suas mordomias, e o seu funcionamento irregular. Haverá alguém que aceite que a Assembleia reuna três manhãs de quinze em quinze dias e tenha um orçamento de quinze milhões? Nós que trabalhamos em proximidade com a população conhecemos bem a realidade regional e percebemos bem as dificuldades que os madeirenses estão a passar. E é por isso, porque os madeirenses estão a passar por grandes dificuldades, a viver no limiar da pobreza, que todos nos devemos revoltar perante as prioridades governativas do ainda Governo Regional. Porque a verdade é só esta: o Orçamento Regional prevê que se gaste o mesmo na Assembleia Regional, com 47 deputados, que se gasta com o Orçamento das três Câmaras da Costa Norte da Ilha da Madeira. E para que serve esse dinheiro? Para que serve o jackpot? Ainda há bem pouco tempo, o Tribunal se pronunciou sobre a forma como esse dinheiro foi gasto. Bebidas à beira da piscina de hotéis de cinco estrelas em Lisboa, vencimentos de assessores que são mais acessórios do que assessores, etc, etc. Mas a grande fatia, todos sabemos, vai para alimentar a máquina partidária. Infelizmente, esta é uma realidade transversal a todos os partidos políticos regionais, da esquerda à direita. E enquanto assim for, será impossível credibilizar a política, e envolver a população naquele que é o seu direito a uma participação plena num estado de direito democrático. Felizmente, a política faz-se por ciclos, e termina agora a governação austera da Coligação PSD/CDS na República. O país está à beira de um novo Governo, um Governo do PS, com novas prioridades e novos protagonistas. Para isso, contamos com todos. E, a todos, vos desejo um Feliz Natal. Que 2015 nos traga aquilo que a austeridade nos tirou.
Orlando Fernandes