Alcino de Freitas As grandes contas que a Madeira tem para pagar só chegam verdadeiramente em 2016. Até lá, todos os candidatos à liderança do PSD, à exceção do candidato Miguel de Sousa, vão dizendo que “logo se vê”, “depois negociamos”, “vai ter que haver dinheiro.” Enfim, um monte de disparates e de irresponsabilidades.
Estão todos entretidos a falar de irrelevâncias. Não lhes ocorre que o que realmente interessa é ter, na mão, ou na conta, o dinheirinho para pagar o que a Madeira deve. E deve muito. Milhões. Mais milhões, em percentagem, do que Islândia e do que Portugal deviam. Dívidas que, como se sabe, se devem em grande parte à gestão apocalíptica de Cunha e Silva dos últimos 14 anos. E junte-se ainda o monstro que é o funcionalismo público na Madeira, bem mais elevado que o do continente. Mas a Islândia, ao menos, humilhou os seus governantes inconscientes atirando-lhes laranjas (verdade!) em público. E pôs mesmo alguns na cadeia. Aqui, na região, o prémio por nos terem deixado na miséria é serem esses mesmos governantes novamente candidatos a decisores políticos. Que desfaçatez.
Se fosse militante do PSD o meu voto ia para o Miguel de Sousa. É do sistema? É, mas fartou-se dele. É um pragmático? É, pois as suas propostas são realistas e exequíveis. É um renovador? É, pelo menos não apresentou as carcaças do costume. Tem a visão do empresário, e isso é o que a Madeira precisa para, pelo menos, tirar a cabeça do atoleiro.
O homem já foi aos Açores, já foi a Canárias, esteve informalmente com Passos Coelho na Madeira. Do Governo Regional nada, fizeram-se finos e indolentes. Quem não nos conhecesse e tivesse chegado pela primeira vez à Madeira por esses dias diria que o presidente do Governo Regional era o Miguel de Sousa. O que era, oficialmente, uma falsidade, mas, na pratica, uma verdade.
Os madeirenses vão sofrer durante anos. Vão ter que pagar por terem aceite tudo acriticamente, sem perguntas, sem suspeitas, sem desconfianças. Vão ter que pagar não por se acharem subitamente ricos (desejar ser rico não tem em si nenhum mal), mas por se comportarem como ricos, sendo que eram apenas remediados, e, para mais, remediados com dinheiro de outros.
Como só souberam votar mal na última década e meia, premiando quem nos apertava a corda ao pescoço, ainda que o carrasco nos fosse oferecendo espetada e vinho seco, os madeirenses podem, pois, continuar a votar da mesma forma. Depois não chorem.